INCA estima 77.920 casos anuais de câncer de próstata
Projeção para 2026 a 2028 indica que a doença deve responder por 30,5% dos novos cânceres entre homens no Brasil, sem incluir pele não melanoma.
O Brasil deve registrar 77.920 novos casos de câncer de próstata por ano entre 2026 e 2028, segundo estimativa do Instituto Nacional de Câncer (INCA). A projeção equivale a 30,5% dos novos casos de câncer estimados entre homens no país, desconsiderados os tumores de pele não melanoma.
De acordo com o INCA, a incidência e a mortalidade pela doença aumentam significativamente após os 60 anos. Histórico familiar — especialmente quando pai ou irmão receberam o diagnóstico antes dessa idade — e excesso de gordura corporal, associado a formas avançadas da doença, também estão entre os fatores apontados no material.
Exames devem considerar riscos e características individuais
O urologista Alexandre Cavalcante, do Hospital Sírio-Libanês em Brasília, afirma que a investigação deve levar em conta as características de cada paciente. Segundo ele, a decisão compartilhada entre médico e paciente deve considerar riscos, benefícios e preferências individuais.
O PSA é um exame de sangue que mede o antígeno prostático específico, proteína produzida pela próstata. Um resultado alterado, porém, não confirma sozinho a presença de câncer, pois condições benignas, como o aumento da próstata, também podem modificar seus níveis.
Segundo nota técnica da Sociedade Brasileira de Urologia, publicada em outubro de 2026, o toque retal não deve ser usado isoladamente para rastreamento nem é obrigatório para todos os homens sem sintomas. O exame pode complementar a avaliação clínica em situações específicas.
A ausência de sintomas não exclui a doença. Dificuldade para urinar, jato urinário fraco, necessidade de levantar várias vezes à noite para ir ao banheiro e sangue na urina devem receber avaliação médica, pois também podem estar relacionados a doenças benignas da próstata.
Estágio influencia tratamento e prognóstico
Quando há suspeita após exames e avaliação clínica, a ressonância magnética multiparamétrica pode ajudar a identificar áreas suspeitas, enquanto a biópsia permite analisar o tecido e confirmar o diagnóstico. De acordo com o oncologista Daniel Vargas P. de Almeida, do Hospital Sírio-Libanês em Brasília, o estágio e a agressividade do tumor orientam as opções de tratamento e o prognóstico.
Em casos selecionados de baixo risco, pode ser indicada a vigilância ativa, com acompanhamento periódico. Para muitos pacientes com câncer localizado, cirurgia e radioterapia estão entre as alternativas com intenção curativa; quando a doença ultrapassa a próstata ou se dissemina, podem ser necessárias combinações de terapias hormonais e outros medicamentos.



