Como a IA pode apoiar médicos sem decidir pelo paciente
Segundo a PoliHealth, sua plataforma correlaciona dados de saúde e apresenta evidências, mas diagnóstico, prescrição e decisão final são do profissional.
A PoliHealth afirma que sua plataforma de inteligência artificial foi desenvolvida para apoiar a avaliação médica sem substituir a decisão do profissional. Segundo Rodrigo Matheucci, CEO da empresa, a ferramenta organiza e correlaciona dados genéticos, exames laboratoriais, histórico familiar e hábitos de vida, enquanto o médico mantém a responsabilidade por julgar, decidir e assinar.
De acordo com Matheucci, a plataforma não fecha diagnósticos, não prescreve e não comunica decisões ao paciente. A proposta é apresentar dados e evidências que sustentem cada sugestão, para que o profissional possa avaliá-las no contexto clínico.
Rastreabilidade e limites no uso da IA
Segundo o executivo, a empresa busca reduzir riscos de erros, vieses e alucinações com três frentes: análises fundamentadas em dados do paciente e referências científicas, possibilidade de rastrear as sugestões e avaliação final feita por um profissional de saúde.
Matheucci afirma que a estrutura inclui literatura de editoras como a Atheneu e regras de correlação desenvolvidas com parceiros, entre eles o Grupo DNA. Ele ressalta, porém, que nenhum sistema está imune a vieses e que a validação científica e a diversidade das bases exigem trabalho contínuo.
Dados de saúde e regulação
Para o CEO, o uso de IA na saúde exige considerar a proteção de dados pessoais sensíveis pela LGPD, as normas do Conselho Federal de Medicina e os critérios da Anvisa para o enquadramento de softwares como dispositivos médicos. Ele cita a Resolução CFM nº 2.454/2026 como referência para orientar o uso da tecnologia no setor.
A empresa relata que passou a enfatizar transparência, rigor científico e limites de atuação após ouvir médicos que já usavam ferramentas de IA genérica na rotina. Na avaliação de Matheucci, a tecnologia pode ajudar a reunir informações que seriam difíceis de examinar separadamente, mas não deve terceirizar o raciocínio clínico.



