Pesquisa associa compra informal a mais relatos de intoxicação

Levantamento da ABIPLA de 2026 aponta relatos de sintomas em 60,5% dos lares do perfil informal, sem estabelecer causalidade.

Consumidores que compram produtos de limpeza em canais informais relatam sintomas de intoxicação com mais frequência, segundo a Pesquisa de Informalidade 2026 da Associação Brasileira das Indústrias de Produtos de Higiene, Limpeza e Saneantes de Uso Doméstico e de Uso Profissional (ABIPLA). Entre os lares classificados no perfil informal, 60,5% disseram que alguém já apresentou sintomas, ante 31,4% entre os que compram exclusivamente no mercado formal.

O levantamento é declaratório e não estabelece que a compra informal seja a causa das intoxicações. De acordo com a ABIPLA, o mesmo consumidor pode estar exposto a outros fatores, como uso incorreto dos produtos ou preparo de misturas caseiras. A pesquisa identifica uma associação entre o perfil de compra informal e a maior frequência de sintomas relatados.

Informalidade avançou nas edições da pesquisa

Nos domicílios, a incidência de informalidade passou de 11% em 2024 para 14% em 2025 e 16% em 2026, conforme dados da entidade. Entre as empresas, os percentuais foram de 17%, 20% e 22%, respectivamente. Entre as companhias que recorrem à informalidade, o índice de relatos de sintomas também foi de 60,5%.

A Pesquisa de Informalidade 2026 foi realizada pela Mosaiclab para a ABIPLA e ouviu 1.000 responsáveis pela compra de produtos de limpeza nos lares e 711 responsáveis pelas compras em empresas no Brasil.

Misturas caseiras e uso fora do rótulo

Segundo o estudo, 69% dos entrevistados afirmaram substituir produtos de limpeza ou recorrer a misturas caseiras, citando itens como bicarbonato de sódio, vinagre e álcool. A ABIPLA alerta que produtos regularizados devem ser usados conforme as instruções do fabricante. Alterar a diluição, aplicar quantidade excessiva, utilizar o produto para outra finalidade ou combiná-lo com outras substâncias pode criar riscos fora das condições previstas no rótulo.

A entidade afirma que a Anvisa orienta a não misturar produtos de limpeza, salvo quando essa possibilidade estiver indicada pelo fabricante. Conforme a presidente-executiva da ABIPLA, Jordana Saldanha, dois produtos seguros quando usados separadamente podem reagir ao serem combinados.

Monitoramento apontou alcance de conversas nas redes

Um estudo de social listening realizado para a ABIPLA registrou 4.204 menções a produtos de limpeza informais nas redes sociais entre janeiro e o início de julho de 2026, com alcance potencial de 13,8 milhões de pessoas. O material reuniu dicas de limpeza, “misturinhas”, demonstrações, promoções e conteúdos sobre segurança.

O percarbonato de sódio concentrou 36,4% das citações monitoradas. Segundo o estudo, houve um pico de conversas em maio, impulsionado por dicas e recomendações de uso, e outro em junho, após a repercussão de um caso de ingestão acidental do produto, quando os debates passaram a abordar segurança, armazenamento e manuseio.

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