Como escolher madeira para móveis, pisos e revestimentos
A arquiteta Patricia Penna aponta critérios técnicos, efeitos das tonalidades e cuidados para preservar o material nos ambientes.
A escolha da madeira em projetos de interiores deve considerar mais do que cor e estilo. Segundo a arquiteta Patricia Penna, robustez, estabilidade dimensional, usinabilidade, disponibilidade e procedência ajudam a definir a espécie ou o revestimento mais adequado para móveis, pisos e paredes.
Na prática, a estabilidade dimensional indica a capacidade de o material manter suas dimensões diante de mudanças de temperatura e umidade. Já a usinabilidade se refere à resposta da madeira a processos como corte e perfuração. Para a arquiteta, disponibilidade e procedência também exigem atenção por sua relação com a responsabilidade ambiental.
Espécies e acabamentos para cada uso
Para mobiliário, Patricia cita o mogno, de tom quente e que, segundo ela, permite acabamentos refinados; o cedro, que varia entre rosado, castanho-claro e avermelhado; e o carvalho, encontrado em nuances que vão do bege aos castanhos. Para pisos, ela aponta o cumaru, com variações castanho-amareladas e avermelhadas, e a itaúba, de tons quentes e castanhos. As duas espécies podem ser usadas, de acordo com a profissional, tanto em superfícies internas quanto em decks.
A arquiteta ressalta que o resultado sofisticado não depende exclusivamente de espécies tradicionalmente associadas ao mobiliário clássico, como mogno e carvalho. Outros tipos de madeira podem produzir efeito semelhante quando suas características são respeitadas no projeto.
Lâminas naturais e revestimentos decorativos que reproduzem espécies ampliam as possibilidades de aplicação. Patricia menciona, entre as referências que podem ser incorporadas aos ambientes, pau-ferro, ébano de macassar, tanganica e rádica.
O que muda com as tonalidades
Madeiras claras podem trazer leveza visual e tátil aos interiores, em uma referência ao estilo nórdico, segundo Patricia. Ela cita freijó e carvalho americano como aparências que podem compor diferentes ambientes residenciais, desde que estejam alinhadas ao estilo e ao objetivo do projeto.
Já as madeiras escuras, historicamente associadas à arquitetura europeia clássica e ao período colonial brasileiro, também aparecem em projetos contemporâneos. Nesses casos, podem criar sobriedade e contraste com outros materiais, volumes e formas. A arquiteta recomenda equilíbrio na composição para que a presença mais austera não se torne um conflito visual.
Cuidados com a madeira natural
Patricia alerta que a incidência direta ou indireta de sol pode alterar a cor da madeira natural. Opções claras podem adquirir efeito caramelado ou escurecer, enquanto versões escuras podem oxidar ou desbotar ao longo do tempo. Para proteger a superfície, a profissional orienta o uso de acabamentos ou vernizes.



