Câncer de próstata: quando a vigilância ativa pode ser indicada
Estratégia é restrita a casos selecionados de baixo risco e exige exames periódicos, segundo urologista do Hospital Alemão Oswaldo Cruz.
Nem todo câncer de próstata precisa de tratamento imediato. Em tumores localizados e de baixo risco, a vigilância ativa pode ser uma alternativa para acompanhar a evolução da doença antes de uma intervenção, desde que o paciente seja cuidadosamente selecionado e mantenha seguimento médico regular.
Segundo o urologista Carlo Passerotti, head do Centro Especializado em Urologia do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, a decisão depende da agressividade e da extensão do tumor, além de idade, condições de saúde, expectativa de vida e possibilidade de comparecer às consultas. A estratégia não significa deixar o câncer sem cuidados: envolve exames periódicos de PSA, ressonância magnética e novas biópsias em intervalos definidos.
Diagnóstico não depende de um exame isolado
O PSA, exame de sangue que mede uma proteína produzida pela próstata, e o toque retal continuam importantes na avaliação clínica, mas não confirmam sozinhos um diagnóstico de câncer. De acordo com o especialista, alterações no PSA também podem ocorrer em condições benignas, como aumento da próstata e inflamações.
A ressonância magnética pode ajudar a identificar regiões suspeitas e a definir a necessidade de biópsia. Quando indicada, a coleta de tecido pela via transperineal — região entre o ânus e o escroto — apresenta menor risco de infecção do que a técnica feita pelo reto, informa o hospital.
Tratamento considera risco e qualidade de vida
Cirurgia e radioterapia são opções para tumores restritos à próstata e podem oferecer possibilidade de cura. Em casos de maior risco, tratamentos podem ser combinados; se a doença se espalha para outras partes do corpo, o cuidado geralmente envolve medicamentos para controlar sua progressão.
Um estudo publicado em 2023 no New England Journal of Medicine, com 1.643 homens acompanhados por cerca de 15 anos, registrou baixa mortalidade pela doença entre grupos submetidos a cirurgia, radioterapia ou monitoramento, sem diferença estatisticamente significativa. Porém, houve disseminação do câncer em 9,4% dos pacientes monitorados, ante 4,7% após cirurgia e 5% após radioterapia. O acompanhamento empregado no estudo, ressalta a fonte, era diferente dos protocolos atuais de vigilância ativa.
A escolha também deve considerar possíveis efeitos sobre controle da urina, função sexual, sintomas urinários e intestinais e fadiga. Dificuldade para urinar, jato urinário fraco, aumento da frequência urinária e sangue na urina merecem investigação médica, embora também possam ocorrer em doenças benignas.
Segundo a fonte, o Ministério da Saúde e o INCA não recomendam o rastreamento sistemático de toda a população masculina sem sintomas, pois a identificação de tumores que não causariam problemas ao longo da vida pode levar a procedimentos desnecessários.



