Autoexigência excessiva pode levar mulheres ao esgotamento

Psicólogas explicam como a pressão para dar conta de tudo pode afetar descanso, relacionamentos e saúde emocional.

A pressão para conciliar carreira, cuidados com a família, vida afetiva, casa e autocuidado pode levar mulheres a uma rotina de autoexigência excessiva. Popularmente chamada de Síndrome da Mulher-Maravilha, a expressão não corresponde a um diagnóstico médico reconhecido, mas descreve a sensação de precisar atender a todas as expectativas sem demonstrar fragilidade.

Segundo a psicóloga Daisy Cangussú, fundadora da Wapiya, um dos riscos é transformar a exaustão em sinal de competência e sucesso. “A questão é quando começamos a transformar exaustão em medalha”, observa a especialista.

A discussão também aparece em relatos públicos de mulheres conhecidas, como Taís Araújo e Giovanna Ewbank, sobre os desafios de conciliar maternidade e carreira. De acordo com o material enviado, a rotina intensa de Virginia Fonseca também é citada em debates sobre produtividade, exposição e responsabilidades femininas.

Quando a sobrecarga deixa de ser pontual

Para a neurocientista e terapeuta junguiana Roberta Calderini, especializada em traumas e epigenética, a questão não está na independência feminina, mas na dificuldade de abandonar um estado permanente de cobrança. Ela afirma que uma postura de controle pode ser valorizada no trabalho, mas pode dificultar o relaxamento, o recebimento de cuidado e a permissão para momentos de vulnerabilidade.

Daisy Cangussú ressalta que uma rotina intensa não é necessariamente prejudicial quando há espaço para descanso e recuperação. O problema, segundo ela, ocorre quando a sobrecarga deixa de ser excepcional e passa a determinar a forma de viver.

Os impactos podem incluir dificuldade para dormir, tensão muscular, irritabilidade, ansiedade, fadiga persistente e sensação de esgotamento. Quando esses sintomas se tornam frequentes, o material recomenda buscar avaliação profissional, pois eles podem ter diferentes causas e exigir acompanhamento específico.

Efeitos na vida afetiva

A sobrecarga pode ultrapassar o ambiente profissional. Após um dia de decisões, demandas domésticas e cuidados familiares, o relacionamento pode se tornar mais uma fonte de cobrança, segundo Roberta Calderini. A especialista aponta que manter-se em estado constante de alerta pode favorecer irritabilidade, distanciamento emocional e conflitos com o parceiro.

O cansaço e a falta de tempo para si também podem reduzir a disponibilidade emocional e o interesse sexual. A fonte ressalta que isso não é uma consequência inevitável da carreira, mas um possível efeito do estresse prolongado e da distribuição desigual das responsabilidades.

Limites e divisão de responsabilidades

Para Roberta Calderini, reconhecer as próprias necessidades não significa abandonar carreira, autonomia ou liderança. A mudança começa ao compreender que não é preciso assumir todas as responsabilidades individualmente e que descansar também faz parte de uma vida saudável.

Na vida a dois, a divisão de tarefas, a conversa sobre expectativas e a construção de momentos de conexão podem evitar que a relação seja marcada apenas por cobranças. Daisy Cangussú acrescenta que estabelecer limites, dizer não e compartilhar tarefas ajudam a interromper o ciclo de autoexigência.

👁️ 17 visualizações
🐦 Twitter 📘 Facebook 💼 LinkedIn
compartilhamentos

Comece a digitar e pressione o Enter para buscar

Comece a digitar e pressione o Enter para buscar