Quando abrir uma segunda clínica sem prejudicar a primeira
Especialista aponta autonomia da operação e limite de capacidade como critérios para planejar a expansão.
A abertura de uma segunda clínica pode reduzir o desempenho da primeira quando a operação original ainda depende diariamente do proprietário, segundo Ricardo Novack, administrador e sócio-diretor do Grupo ICOM. Para ele, a expansão deve ser considerada quando a unidade atual funciona com autonomia e já atingiu, ou está próxima de atingir, seu limite de geração de recursos.
Novack afirma que projetar o resultado de uma clínica sobre outra sem considerar o aumento das demandas de gestão é um erro recorrente. Com duas unidades, o profissional precisa dividir tempo e atenção entre atendimento, decisões administrativas, liderança de equipes e acompanhamento da rotina.
“Aquela conta em que ele imaginava dobrar, na verdade, passa a dividir”, afirma o especialista. Na avaliação dele, quando o dono se desloca para a nova unidade, a primeira pode ficar menos assistida, enquanto a segunda ainda demanda estrutura para amadurecer.
Cinco pontos antes de expandir a clínica
O primeiro critério, segundo Novack, é verificar se a clínica atual continua funcionando sem a presença constante do proprietário. Se decisões, atendimento, gestão da equipe e resolução de problemas seguem concentrados nessa pessoa, uma nova unidade tende a ampliar a sobrecarga.
Também é necessário avaliar se a primeira clínica está perto do limite de sua capacidade de gerar recursos. Para o administrador, a expansão faz mais sentido quando ainda há pouco espaço para crescimento na estrutura já existente.
Processos de atendimento, gestão de pessoas, acompanhamento financeiro e rotina administrativa precisam estar organizados e poder ser reproduzidos na nova operação. A padronização, segundo ele, evita que problemas resolvidos informalmente na primeira unidade sejam transferidos para uma estrutura maior.
A definição de uma liderança confiável para acompanhar a segunda clínica diariamente é outro ponto citado pelo especialista. “Quase sempre, nossa sugestão é que exista uma pessoa de extrema confiança para conseguir tocar essa nova unidade”, diz Novack.
Por fim, ele recomenda calcular quanto tempo, dinheiro e capacidade de gestão serão retirados da primeira operação para sustentar a segunda. A análise deve considerar se a expansão multiplicará os resultados ou se poderá comprometer o desempenho das duas unidades.
Segundo Novack, bons resultados em uma clínica, isoladamente, não indicam que seja o momento de abrir outra. A decisão depende da autonomia da unidade atual e de sua proximidade com o limite de capacidade.



