Presbiopia: quando a troca do cristalino pode ser considerada
Oftalmologista afirma que o procedimento pode ser avaliado antes da catarata em pacientes selecionados, especialmente após os 50 anos.
Afastar o celular, aumentar a letra da tela ou buscar mais luz para ler podem ser sinais de presbiopia, também chamada de vista cansada. Segundo o oftalmologista Arthur van den Berg, a condição está ligada à perda gradual da capacidade de acomodação do cristalino, a lente natural do olho que ajuda a ajustar o foco em diferentes distâncias.
De acordo com o médico, essa redução costuma se tornar mais perceptível a partir dos 40 anos e afeta principalmente a visão de perto. O envelhecimento do cristalino, porém, começa antes da catarata, que é caracterizada pela perda de transparência dessa estrutura e pode causar visão embaçada, redução do contraste e maior sensibilidade à luz.
Cirurgia pode ser discutida antes da catarata
Van den Berg afirma que, em pacientes adequadamente selecionados, a troca do cristalino transparente pode ser considerada antes do desenvolvimento da catarata. O procedimento remove a lente natural e a substitui por uma lente intraocular artificial, técnica também empregada na cirurgia de catarata.
A indicação é diferente: enquanto a cirurgia de catarata é realizada quando a opacidade compromete a qualidade visual, a troca do cristalino pode ser avaliada em pessoas com presbiopia e desejo de reduzir a dependência dos óculos. Segundo o oftalmologista, essa possibilidade é discutida especialmente para pacientes acima dos 50 anos.
A faixa etária, no entanto, não define sozinha a recomendação. Saúde ocular, grau, condições da córnea e da retina, hábitos e expectativas devem entrar na avaliação. O médico ressalta que benefícios e riscos precisam ser analisados individualmente e que óculos, lentes de contato e outras alternativas continuam válidos conforme a condição clínica.
Lentes intraoculares têm opções e limitações
As lentes intraoculares podem ter diferentes propostas de correção. As trifocais, por exemplo, são projetadas para visão de longe, intermediária e de perto; já as lentes de profundidade de foco estendida ampliam a faixa de visão nítida, segundo o especialista.
Os resultados não são iguais para todas as pessoas. Algumas tecnologias podem produzir halos ao redor das luzes ou diferenças na sensibilidade ao contraste, que é a capacidade de distinguir objetos do fundo. Por isso, a avaliação pré-operatória e o alinhamento das expectativas são fundamentais na escolha da lente, afirma van den Berg.
Após a remoção do cristalino natural, não há possibilidade de formação futura de catarata no olho operado, pois a estrutura relacionada à doença foi substituída por uma lente artificial. Ainda assim, o oftalmologista reforça que a cirurgia não deve ser indicada apenas pela idade ou pelo desejo de abandonar os óculos.



