Como identificar alimentos “falsos saudáveis” para crianças

Professora de Nutrição do IBMR orienta olhar ingredientes, processamento e frequência de consumo, sem avaliar o peso infantil de forma isolada.

Expressões como “feito com frutas”, “integral”, “fonte de vitaminas” e “sem conservantes” não bastam, isoladamente, para definir a qualidade nutricional de um alimento infantil. Segundo Letícia Paolino, professora de Nutrição do IBMR, a avaliação deve considerar ingredientes, composição nutricional, grau de processamento e frequência de consumo.

Para a especialista, os chamados alimentos “falsos saudáveis” podem dificultar as escolhas das famílias porque suas embalagens transmitem uma imagem positiva. Um produto “sem açúcar adicionado”, por exemplo, não é automaticamente a melhor opção para o consumo cotidiano da criança, afirma.

Obesidade infantil envolve mais do que escolhas em casa

De acordo com Letícia, a maior oferta e praticidade dos ultraprocessados, o marketing direcionado ao público infantil e as desigualdades de renda e de acesso à alimentação adequada também precisam entrar na discussão sobre obesidade infantil. A insegurança alimentar e a obesidade podem coexistir quando famílias, com dificuldade de acesso regular a uma alimentação adequada, recorrem mais frequentemente a produtos de menor custo e alta densidade energética, mas com menor qualidade nutricional.

A professora acrescenta que eventos extremos, mudanças na produção de alimentos e aumento de preços podem afetar a disponibilidade e o acesso a alimentos in natura, ampliando desigualdades.

Peso isolado não define obesidade na infância

Segundo a fonte, não é adequado concluir que uma criança tem obesidade apenas pela aparência ou por um número na balança. A avaliação nutricional deve considerar idade, sexo, altura e trajetória de crescimento, além de indicadores antropométricos e curvas de crescimento.

Hábitos alimentares, rotina, atividade física, sono, comportamento, histórico familiar e, quando necessário, exames bioquímicos também podem ser considerados por profissional capacitado. A obesidade infantil pode estar associada a hipertensão arterial, resistência à insulina, diabetes tipo 2, alterações de colesterol e triglicerídeos, acúmulo de gordura no fígado, problemas respiratórios e ortopédicos, além de estigma, bullying e discriminação, conforme a professora.

Mudanças devem envolver a família

Quando há excesso de peso, Letícia orienta que as mudanças na alimentação sejam graduais e individualizadas. Dietas restritivas, exclusão de grupos alimentares, contagem excessiva de calorias, jejuns e estratégias de perda rápida de peso não devem ser adotados por conta própria, pois a criança está em desenvolvimento.

A professora cita a ampliação da oferta de frutas, legumes, verduras, feijão, cereais e ovos e a redução da frequência de ultraprocessados e bebidas açucaradas. Rotina de refeições, atividade física, sono e tempo de tela também fazem parte dos hábitos apontados. Para ela, as transformações são mais efetivas quando envolvem toda a família, sem tratar a criança como “problema” ou impor uma alimentação restritiva apenas a ela.

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