Post de médico pode motivar apuração ética no CRM
Declarações discriminatórias podem abalar a confiança de pacientes e levar a processos disciplinares, conforme a gravidade e o devido processo legal.
Publicações de médicos nas redes sociais podem motivar apuração ética quando houver indícios de violação dos deveres da profissão. Segundo Queila Fonini, especialista em branding para saúde e CEO da Aviah Soluções Empresariais, manifestações que coloquem em dúvida a disposição do profissional para atender pacientes com respeito podem comprometer a confiança na relação médico-paciente.
O debate foi reacendido após a repercussão de declarações de um cardiologista que afirmou nas redes sociais que deixaria de atender pacientes de determinada preferência política. De acordo com o material divulgado, além de impactos reputacionais, manifestações incompatíveis com os deveres da medicina podem resultar em processos disciplinares e penalidades.
O Código de Ética Médica, instituído pela Resolução CFM nº 2.217/2018, determina que a medicina seja exercida sem discriminação de qualquer natureza. Já a Lei nº 3.268/1957 prevê advertência, censura, suspensão e cassação do exercício profissional, conforme a gravidade da infração e o devido processo legal.
Uma publicação controversa, porém, não implica automaticamente a perda do registro no Conselho Regional de Medicina (CRM). A medida pode motivar uma investigação quando houver indícios de descumprimento ético.
Perfil pessoal pode ser associado à atuação profissional
Segundo Queila, a separação entre contas pessoais e profissionais não impede que uma declaração seja ligada ao trabalho do médico, sobretudo quando sua especialidade e seus vínculos institucionais são conhecidos. Para ela, a reputação profissional é formada pelo conjunto de comportamentos que o público associa à pessoa.
A Resolução CFM nº 2.336/2023, que regulamenta a publicidade médica, estabelece parâmetros para a divulgação de serviços e informações em plataformas digitais. Embora amplie possibilidades de comunicação, a norma não afasta as obrigações previstas no Código de Ética Médica.
Os efeitos também podem atingir hospitais e clínicas associados ao profissional. No episódio citado pela fonte, o hospital onde o cardiologista atuava se manifestou para afirmar que as declarações não representavam seu posicionamento e para reafirmar o compromisso com o atendimento sem discriminação.



