Gatos pretos enfrentam barreiras para adoção, aponta pesquisa
Para 69% das ONGs ouvidas em levantamento de GoldeN e IMVC, animais de pelagem preta ou escura têm mais dificuldade de ser escolhidos.
Animais de pelagem preta ou escura enfrentam grandes barreiras para serem escolhidos por uma família, segundo 69% das ONGs ouvidas na pesquisa Panorama da Adoção no Brasil – ONGs, realizada pelo Opinion Box a pedido de GoldeN e do Instituto de Medicina Veterinária do Coletivo (IMVC). O levantamento é destacado no Dia de Conscientização pelo Gato Preto, celebrado em 27 de outubro.
De acordo com o material divulgado pela PremieRpet, a dificuldade está ligada a associações históricas entre a cor do pelo, superstições, azar e bruxaria. Para Ricardo Menezes, médico-veterinário, psicanalista e gerente de treinamento da empresa, essa construção cultural não tem relação com o comportamento do animal.
“O gato preto carrega um peso simbólico que não pertence a ele. É uma construção cultural antiga, que não tem base no comportamento do animal”, afirma Menezes.
Idade pode aumentar a dificuldade de adoção
A pesquisa também indica que a preferência dos adotantes se concentra em filhotes, apontados como os animais adotados com mais facilidade por 81% das organizações participantes. Assim, gatos pretos que já passaram dessa fase podem encontrar uma barreira adicional na busca por um lar.
Segundo o levantamento, os gatos são os animais mais adotados pelas ONGs: 41%, ante 32% dos cães. O release cita ainda dados do Instituto Pet Brasil (IPB), segundo os quais a população de gatos em lares brasileiros ultrapassa 30,8 milhões.
Planejamento e adaptação fazem parte da adoção consciente
Adotar um gato exige considerar a personalidade do animal, o tempo de adaptação e os custos envolvidos. Para 71% das ONGs consultadas, adotantes têm apenas conhecimento básico sobre guarda responsável, com lacunas relevantes. A maior parte das devoluções acontece nos três primeiros meses, período em que a adaptação do animal, citada por 73% das organizações, e os cuidados veterinários, mencionados por 57%, estão entre os aspectos mais subestimados.
Menezes recomenda conversar com a ONG ou protetor sobre o temperamento e a história do gato, inclusive dos adultos e idosos, cujo comportamento já é mais conhecido. Também entram no planejamento despesas com alimentação, vacinas, castração e consultas veterinárias. A orientação é respeitar o tempo de cada animal para se sentir em casa e tratar a adoção como um compromisso de longo prazo.



