Cinco cuidados para revisar decisões no planejamento empresarial
Especialista Thiago Shimada propõe analisar padrões de escolha, além de metas e indicadores, ao preparar o próximo ciclo da empresa.
Revisar metas financeiras não basta para evitar que problemas se repitam no próximo ciclo da empresa. Segundo o estrategista de Business Performance Thiago Shimada, o planejamento empresarial também precisa examinar como as decisões foram tomadas, quais padrões se repetiram e quais sinais estavam disponíveis antes dos resultados.
Shimada afirma que indicadores mostram o que aconteceu, mas não explicam sozinhos os motivos de uma escolha ou a repetição de um problema. Para ele, uma estratégia pode mudar as metas e ainda manter as mesmas formas de decidir.
O especialista cita como exemplos a manutenção de investimentos em canais que já funcionaram, contratações prolongadas e projetos que continuam consumindo recursos porque já receberam muito dinheiro e energia. De acordo com ele, vieses cognitivos — atalhos usados pelo cérebro para simplificar decisões — podem dificultar análises mais profundas quando são repetidos sem considerar mudanças no negócio, na equipe, nos clientes ou na concorrência.
O que observar além dos resultados
Na avaliação de Shimada, quedas recorrentes nas vendas, perda de profissionais estratégicos ou gargalos que aparecem em áreas diferentes devem levar a uma investigação sobre as decisões que antecederam esses acontecimentos. A análise, segundo ele, deve usar dados para identificar recorrências, e não apenas verificar se a meta foi atingida.
O material também menciona a Global CEO Survey 2026, da PwC, segundo a qual executivos dedicam 47% do tempo a questões com horizonte inferior a um ano, enquanto 16% é destinado a decisões com mais de cinco anos de antecedência. O levantamento ouviu 4.454 executivos em 95 países e territórios. Uma análise da McKinsey publicada em 2026 é citada pela fonte ao relacionar excesso de informações e demandas à maior utilização de atalhos mentais.
Cinco cuidados indicados pelo especialista
1. Revisar decisões, e não só resultados. O fechamento do período pode comparar o previsto com o realizado, mas também deve identificar quais escolhas levaram a cada resultado e o que seria feito de outro modo com as informações disponíveis hoje.
2. Mapear problemas recorrentes. Atrasos, perda de clientes, dificuldades de contratação ou problemas de caixa que voltam ao longo do ano podem indicar padrões, afirma Shimada.
3. Usar dados para testar certezas. Em vez de buscar apenas indicadores que confirmem uma estratégia, a proposta é procurar evidências de que ela pode não estar funcionando como se imaginava.
4. Distinguir urgência de importância. Nem todas as decisões de fechamento de ciclo exigem a mesma velocidade. Segundo o especialista, escolhas com consequências por meses ou anos pedem uma avaliação diferente das que podem ser corrigidas facilmente.
5. Definir o que deve ficar para trás. Além de registrar objetivos, projetos e investimentos, o planejamento pode apontar hábitos, processos e decisões que precisam terminar no ciclo seguinte.



