Biópsia negativa exige nova investigação do câncer de próstata?

PSA persistentemente alterado, exame de toque e imagens suspeitas podem indicar avaliação complementar, segundo o urologista Alberto Tomé.

Uma biópsia de próstata negativa não descarta totalmente o câncer quando alterações suspeitas persistem em outros exames. Segundo o urologista Alberto Tomé, a necessidade de aprofundar a investigação depende da análise conjunta do PSA, do exame de toque, das imagens e do histórico de cada paciente.

A biópsia examina fragmentos específicos do tecido prostático. Por isso, de acordo com o especialista, uma eventual lesão pode não ser alcançada durante a coleta, conforme sua localização e características. O resultado negativo, portanto, é uma informação importante, mas não deve ser interpretado isoladamente.

Quais achados podem manter a suspeita

O PSA, ou Antígeno Prostático Específico, é um dos exames usados na avaliação da próstata. Sua elevação não significa necessariamente câncer, pois também pode ocorrer em condições benignas. Ainda assim, alterações persistentes ou progressivas merecem atenção, afirma Tomé.

Outros elementos considerados na decisão incluem mudanças no exame de toque retal, histórico familiar, características de lesões vistas na ressonância magnética e resultados de exames anteriores. Nem toda pessoa com biópsia negativa precisa repetir o procedimento: a conduta deve levar em conta o risco individual e a evolução dos achados clínicos.

Micro-ultrassom pode complementar a avaliação

Entre os recursos citados pelo urologista está o micro-ultrassom de alta resolução, que opera com frequência de 29 MHz, superior à usada no ultrassom convencional da próstata. A tecnologia permite observar detalhes da estrutura prostática em tempo real e pode ajudar a identificar regiões suspeitas para direcionar a coleta de fragmentos durante a biópsia.

O equipamento também possibilita biópsias pela via transperineal com orientação por imagem em tempo real. Segundo Tomé, o recurso pode ser particularmente útil quando a suspeita clínica permanece após uma biópsia anterior negativa.

O micro-ultrassom pode ser usado de forma complementar à ressonância magnética e a outros exames, conforme as características de cada paciente. A tecnologia não elimina a possibilidade de resultados falso-negativos, mas pode fornecer informações adicionais para a investigação.

O câncer de próstata pode não causar sintomas nas fases iniciais. Para o especialista, o objetivo não é repetir biópsias indiscriminadamente, e sim identificar quais pacientes precisam de avaliação complementar diante de sinais persistentes ou exames divergentes.

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