Retomar exercícios com pressa pode causar dores e lesões
Ortopedista e gerente de musculação orientam que cargas, frequência e intensidade devem acompanhar o preparo de quem volta a treinar.
Quem retoma os exercícios com o objetivo de entrar em forma para o verão pode enfrentar dores e lesões se elevar cargas, frequência ou intensidade sem adaptação. Segundo o ortopedista Thiago S. Busato, presidente da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia – Regional Paraná (SBOT-PR), músculos, tendões e articulações precisam se adaptar às exigências do treino.
Busato afirma que tentar compensar meses de inatividade com treinos diários, corridas sem preparo ou cargas acima da capacidade atual pode levar a dores nos joelhos, tornozelos e costas, especialmente na região lombar. “O corpo não acompanha a urgência do calendário”, declara o médico.
Luiz Otavio Almeida, gerente de musculação da Cia Athletica Curitiba, recomenda construir uma rotina possível de manter. De acordo com ele, avaliação e acompanhamento ajudam a ajustar exercícios, cargas e intervalos à condição de cada pessoa, enquanto treinar até a exaustão logo no início pode comprometer a recuperação e a continuidade.
Progressão deve considerar o histórico de atividade
Para quem ficou um período sem se exercitar, Busato alerta que não é indicado voltar imediatamente ao ritmo anterior nem copiar o treino de outra pessoa. Na corrida, aumentar distância, velocidade e frequência ao mesmo tempo pode ultrapassar a capacidade de adaptação do organismo. Na musculação, Almeida aponta que a progressão deve levar em conta o histórico de atividade física, eventuais limitações e o tempo disponível para recuperação.
A Organização Mundial da Saúde recomenda para adultos de 150 a 300 minutos semanais de atividade aeróbica moderada, ou o equivalente em atividade vigorosa, além de fortalecimento muscular em pelo menos dois dias por semana. Para iniciantes, esse volume deve ser construído gradualmente, conforme a fonte.
Dados citados no material mostram que 40,3% dos adultos brasileiros eram insuficientemente ativos em 2019, segundo a Pesquisa Nacional de Saúde do IBGE, considerando atividades no lazer, trabalho e deslocamento. No cenário mundial, uma análise publicada em 2024 apontou que 31% dos adultos, cerca de 1,8 bilhão de pessoas, não atingiram os níveis recomendados de atividade física em 2022.
Quando dor e inchaço exigem avaliação
Busato orienta que dor persistente, inchaço ou dificuldade para apoiar um membro merecem avaliação, em vez de insistência no treino. Segundo ele, se a pessoa passa a mudar a forma de caminhar ou de executar um exercício para suportar a dor, a atividade precisa ser revista.
O médico também chama atenção para a automedicação e para o uso de medicamentos para emagrecimento sem avaliação médica ou adquiridos de procedência desconhecida. Conforme o material, a Anvisa reforçou, em fevereiro de 2026, o alerta para risco de pancreatite aguda associado a medicamentos agonistas do receptor GLP-1. A agência informou que os benefícios permanecem superiores aos riscos nas indicações aprovadas, mas que o uso requer prescrição e acompanhamento. A venda desses medicamentos está sujeita à retenção de receita desde junho de 2025.
Para os especialistas, emagrecer não significa automaticamente ganhar condicionamento. A retomada dos exercícios deve buscar uma rotina que respeite a resposta do organismo e possa continuar depois do verão.


