O que investidores avaliam além do faturamento em 2026
Governança, processos e uma gestão menos dependente do fundador ganham peso na análise de risco e valor das empresas.
Empresas que buscam investimento, novos sócios ou a venda de participação passaram a ser avaliadas também pela estrutura que sustenta seus resultados. Em um mercado de fusões e aquisições mais seletivo no Brasil em 2026, governança, processos, liderança e capacidade de execução ajudam investidores a medir riscos e a avaliar se o desempenho pode continuar após uma transação.
No primeiro semestre, o Brasil registrou 610 operações de fusões e aquisições, que movimentaram R$ 195 bilhões, segundo dados da KPMG citados pela fonte. A quantidade de negócios caiu 35% em relação ao mesmo período de 2025, enquanto o valor transacionado cresceu 22,3%.
Para Anderson Silva, advogado, mestre em Direito Empresarial, professor e fundador da A2 Paralegal e do ecossistema educacional Desenvolvimento Para Todos, receita, margem e carteira de clientes não mostram sozinhas a solidez de uma companhia. “Quem investe precisa compreender não apenas quanto aquele negócio gera hoje, mas como ele funciona e se consegue continuar crescendo sem depender de uma única pessoa”, afirma.
Dependência do fundador pode elevar o risco percebido
Segundo Silva, a fragilidade pode aparecer quando a expansão comercial avança mais rapidamente do que a profissionalização da empresa. Mesmo com mais vendas, funcionários e clientes, decisões centralizadas e conhecimentos retidos por poucas pessoas podem dificultar a escala, a integração de uma aquisição ou a demonstração de que os resultados são replicáveis.
Processos documentados, responsabilidades definidas, indicadores confiáveis, controles, contratos organizados e uma segunda linha de liderança preparada ajudam potenciais compradores a entender como a empresa opera e toma decisões. Para o especialista, um teste é avaliar se o negócio conseguiria manter decisões, atendimento e acompanhamento de indicadores caso o fundador se afastasse por alguns meses.
Preparação antes da negociação
Dados da KPMG mencionados pela fonte também indicam que operações de private equity e venture capital movimentaram R$ 36,7 bilhões no Brasil no primeiro semestre de 2026, alta de 30,5%, apesar da retração na quantidade de negócios.
Um estudo global da EY divulgado em junho de 2026, com 100 executivos de private equity e 100 gestores de empresas investidas que passaram recentemente por processos de saída, incluiu sistemas, processos, controles, governança e preparo da administração entre os elementos de uma empresa pronta para transação. Entre os gestores das empresas participantes, a melhor preparação da equipe de gestão foi a principal mudança apontada para um novo processo de venda.
O Global PE Exit Readiness Study 2026, da EY, apontou ainda que 86% dos executivos de fundos entrevistados disseram que a preparação para uma saída melhorou o valuation das empresas. De acordo com o levantamento, os melhores resultados estiveram associados a processos iniciados entre 12 e 24 meses antes da venda.
Na avaliação de Silva, organizar informações financeiras, acompanhar indicadores, documentar processos, fortalecer controles e desenvolver gestores são medidas que podem ser construídas durante o crescimento do negócio, e não apenas quando surge uma proposta de compra.



