Estudo projeta menos mortes com terapias anti-HER2 no SUS
Análise de 22.432 pacientes em estágios II e III estimou redução de óbitos com T-DM1 e pertuzumabe, ainda indisponível na rede pública.
Um estudo brasileiro com 22.432 pacientes estimou que a ampliação de terapias anti-HER2 no Sistema Único de Saúde (SUS) pode reduzir mortes potencialmente evitáveis por câncer de mama HER2-positivo em estágios II e III. A pesquisa projetou os resultados ao longo de oito anos com base em dados nacionais do DATASUS.
O trabalho, conduzido pelo mastologista André Mattar, tesoureiro da Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM), foi publicado na revista The Breast. Segundo os autores, o HER2-positivo ocorre em cerca de 15% a 30% dos cânceres de mama diagnosticados e é considerado um subtipo clinicamente agressivo.
Três cenários de tratamento foram projetados
No primeiro cenário, com quimioterapia e trastuzumabe — estratégia apontada como padrão atual do SUS no material —, a média projetada foi de 3.606 mortes. Com a incorporação de T-DM1, medicamento disponível na rede pública, a estimativa caiu para 2.672 óbitos.
No terceiro cenário, que incluiu T-DM1 e pertuzumabe, a média projetada chegou a 2.390 mortes. De acordo com Mattar, a adoção do T-DM1 representaria 934 mortes a menos, enquanto a estratégia completa corresponderia a 1.216 óbitos a menos, ou redução relativa projetada de 33,7%.
Pertuzumabe segue fora da rede pública
O estudo destaca que o pertuzumabe perioperatório ainda não é oferecido pelo SUS e teve sua incorporação negada pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec) em duas oportunidades. Já o T-DM1 adjuvante, recomendado pela comissão em setembro de 2022, passou a ser disponibilizado a pacientes do SUS em outubro de 2025, segundo o material.
Os autores também associam as terapias a análises de custo-efetividade. Mattar afirma que ainda são necessárias avaliações adicionais, mas cita projeções de redução líquida de R$ 69,3 milhões em cinco anos para o sistema de saúde brasileiro no contexto neoadjuvante.



