Enxergar 100% não resume a qualidade da visão após os 50
Acuidade visual não avalia sozinha contraste, visão em baixa luz e fenômenos luminosos, segundo o oftalmologista Arthur van den Berg.
Enxergar 100% em um teste de acuidade visual não garante, por si só, boa qualidade de visão nas atividades cotidianas após os 50 anos. Segundo o oftalmologista Arthur van den Berg, dificuldades para dirigir à noite, usar telas ou realizar tarefas que exigem precisão podem permanecer mesmo quando a pessoa consegue ler letras pequenas no exame.
A acuidade visual mede a capacidade de enxergar detalhes, mas não contempla isoladamente toda a experiência visual. De acordo com o especialista, sensibilidade ao contraste, percepção de objetos, desempenho em ambientes pouco iluminados e fenômenos luminosos também influenciam essa experiência.
Esses aspectos podem ganhar importância com o envelhecimento ocular, especialmente diante de alterações no cristalino, a lente natural do olho. Por isso, uma avaliação deve considerar como cada pessoa usa a visão em sua rotina, afirma van den Berg.
Hábitos e necessidades orientam o planejamento
Na troca do cristalino e na cirurgia de catarata, o planejamento pode levar em conta as características anatômicas dos olhos, além da profissão, dos hábitos e das prioridades do paciente. Quem trabalha diante do computador, pratica esportes ou dirige frequentemente à noite pode ter necessidades visuais diferentes, segundo o médico.
Entre as alternativas citadas estão lentes intraoculares trifocais, que podem proporcionar independência dos óculos para longe, distância intermediária e perto em pacientes selecionados. Há também modelos de profundidade de foco estendida, voltados a ampliar a faixa de visão nítida, além de outras tecnologias com características ópticas específicas.
O especialista ressalta que não há uma tecnologia ideal para todas as pessoas. A escolha deve considerar as condições de cada olho, as limitações das tecnologias e a relação entre benefícios e riscos.
Exames ajudam a definir a estratégia
Segundo van den Berg, o planejamento anterior à cirurgia pode incluir análise da córnea, dimensões do olho, astigmatismo e retina. Tomografia da córnea, biometria óptica e aberrometria estão entre os exames mencionados como apoio para identificar alterações e avaliar quais opções podem ser mais adequadas a cada caso.
Essas informações também permitem reconhecer situações em que determinadas tecnologias não são recomendadas. Para o oftalmologista, a meta é alinhar a estratégia cirúrgica às necessidades visuais e às expectativas de cada paciente.



