Enxaqueca: acompanhamento contínuo ajuda no controle das crises

Neurologista Thaís Villa afirma que diagnóstico, prevenção individualizada e registro dos sintomas orientam o tratamento.

O tratamento da enxaqueca não deve ser interrompido quando a dor melhora, segundo a neurologista Thaís Villa. A especialista afirma que diagnóstico preciso, estratégia preventiva, hábitos e acompanhamento regular ajudam a controlar as crises e a orientar possíveis ajustes na terapia.

Estima-se que cerca de 30 milhões de brasileiros convivam com enxaqueca. Além da dor de cabeça, a doença pode provocar sensibilidade à luz, a sons e a cheiros, náuseas, alterações visuais, tontura, formigamento, mudanças no sono e no humor e dificuldade de concentração, de acordo com a médica.

Prevenção depende da avaliação de cada caso

Segundo Thaís Villa, um erro frequente é tratar apenas a crise sem avaliar a necessidade de prevenção. Para pessoas com episódios frequentes e incapacitantes, estratégias preventivas podem ser indicadas conforme o perfil individual.

Entre os recursos citados pela neurologista estão a toxina botulínica e medicamentos à base de anticorpos monoclonais anti-CGRP, relacionados a mecanismos da enxaqueca. A escolha da terapia, porém, deve considerar a indicação, a resposta individual e a continuidade do acompanhamento médico.

A médica diz que o cuidado pode envolver uma abordagem multidisciplinar, com profissionais de áreas como Nutrição, Fisioterapia, Odontologia e Psicologia, além da neurologia, dependendo das necessidades da pessoa.

Registro das crises pode orientar ajustes

A frequência das crises é um dos parâmetros acompanhados durante o tratamento. Manter um registro das ocorrências, sintomas, possíveis gatilhos e medicamentos usados pode ajudar o especialista a avaliar a evolução do quadro e decidir se a estratégia deve ser mantida ou modificada.

Thaís Villa orienta que a pessoa não interrompa, modifique ou espaçe uma terapia por conta própria. Sono irregular, estresse, jejum prolongado, desidratação, alterações hormonais e determinados alimentos ou bebidas podem desencadear crises em alguns pacientes. O uso excessivo de analgésicos também merece atenção, pois pode contribuir para a cronificação das dores, segundo a especialista.

A recomendação, afirma a neurologista, não é criar uma lista generalizada de proibições, mas identificar quais fatores estão efetivamente relacionados às crises de cada paciente.

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