Anvisa determina recolhimento de picolé com ingredientes para sono
Produto da Bentô Gelatos teve fabricação, venda, distribuição, divulgação e consumo suspensos, segundo a agência.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou na segunda-feira (26) o recolhimento do picolé Bentô Gelatos Magnésio + Inositol Relief 3.0, fabricado pela ABB Gelateria Ltda. A medida também suspende a fabricação, comercialização, distribuição, divulgação e o consumo do produto.
Segundo a Anvisa, a decisão foi motivada pelo uso de ingredientes como melatonina e inositol, que não passaram por avaliação de segurança para uso nessa categoria de alimento.
No Brasil, a melatonina é autorizada como ingrediente de suplementos alimentares para adultos a partir de 19 anos, com limite máximo diário de 0,21 mg. Essa autorização, porém, não se estende automaticamente a outros produtos alimentícios.
Fabricante diz cumprir a determinação
A Bentô Gelatos informou que está cumprindo a determinação da Anvisa e que o produto não integra atualmente seu cardápio. Em manifestações à imprensa, a empresa apresentou esclarecimentos sobre o desenvolvimento e a produção do picolé e contestou a informação de que a formulação continha melatonina.
A determinação sanitária permanece válida. Os esclarecimentos sobre a composição e o histórico de comercialização do produto devem ser atribuídos às respectivas fontes.
O papel da melatonina e a avaliação de dificuldades para dormir
A melatonina é um hormônio produzido naturalmente pelo organismo, principalmente pela glândula pineal, e participa da regulação dos ritmos circadianos, que organizam os períodos de sono e vigília. Sua produção tende a aumentar à noite, especialmente em condições de pouca luminosidade.
A função fisiológica da melatonina, no entanto, não significa que a suplementação seja necessária ou eficaz para todas as dificuldades relacionadas ao sono. A psicóloga clínica e especialista em neuropsicologia Vanessa Bulcão afirma que o sono é essencial para processos como consolidação da memória, atenção e regulação das emoções.
Segundo Bulcão, dormir pouco ou de forma irregular pode estar associado a irritabilidade, dificuldade de concentração e menor capacidade de lidar com situações de estresse. Ela também aponta que a relação entre sono e saúde mental é bidirecional: alterações persistentes do sono podem contribuir para dificuldades cognitivas e emocionais, enquanto ansiedade e depressão frequentemente interferem na qualidade do descanso.
“Nem toda dificuldade para dormir tem a mesma origem. Em alguns casos, ela pode estar relacionada ao estresse, aos hábitos de vida ou à desregulação dos horários de sono. Em outros, pode estar associada a condições clínicas ou psicológicas que precisam ser investigadas”, orienta a especialista.
Dificuldades ocasionais para dormir podem ocorrer em períodos de maior exigência emocional, mas, quando são frequentes, persistentes ou prejudicam o funcionamento diário, merecem avaliação profissional, conforme Vanessa Bulcão. A especialista cita a manutenção de horários regulares, a exposição à luz natural durante o dia e a organização de um ambiente adequado para dormir como medidas que podem favorecer a qualidade do sono. Nos casos de insônia crônica, a terapia cognitivo-comportamental para insônia (TCC-I) é considerada uma intervenção de primeira linha, segundo recomendações clínicas internacionais mencionadas pela fonte.



