Pesquisa aponta apego emocional a chatbots em quatro países

Estudo com mais de 7 mil participantes identificou algum nível de apego em mais de 35% dos entrevistados.

Um estudo internacional publicado em agosto de 2026 na revista Technology in Society identificou algum nível de apego emocional a chatbots em mais de 35% de mais de 7 mil participantes da Alemanha, China, África do Sul e Estados Unidos. Para aproximadamente 21% dos entrevistados, os chatbots apareceram como primeira escolha para compartilhar segredos.

O uso dessas ferramentas para conversas pessoais também aparece em dados publicados neste ano pelo Pew Research Center: 20% dos adultos americanos com menos de 30 anos afirmaram já ter recorrido a chatbots para apoio emocional ou aconselhamento. No mesmo grupo, 7% disseram usar a tecnologia especificamente como companhia.

Relações afetivas mediadas por inteligência artificial

O material enviado chama de digissexualidade a atração e os relacionamentos afetivos mediados por inteligência artificial. A influencer Suellen Carey relatou nas redes sociais ter vivido uma relação afetiva de três meses com o ChatGPT. “Foi uma conexão sem corpo, mas com afeto. Ele lembrava do meu nome, das minhas histórias, do meu aniversário. Me ouvia sem tentar me enquadrar, sem me reduzir à minha identidade de gênero”, disse.

Para o psiquiatra João Borzino, esse tipo de relação deve ser analisado criticamente. Na avaliação dele, trata-se de uma expressão afetiva e sexual mediada por recursos digitais que pode refletir tendências da sociedade contemporânea. “A ilusão da digissexualidade e o preço de substituir o real pelo fabricado é claro”, afirmou.

Caio Bittencourt, especialista em comportamento afetivo e relacionamentos do MeuPatrocínio, diferencia o uso pontual da inteligência artificial do que chama de terceirização da personalidade. Segundo ele, discussões sobre limites de intimidade com IA passaram a fazer parte das relações. “Se não existe clareza sobre quem você é, o que procura e o que está disposto a oferecer emocionalmente ao outro, nenhuma tecnologia resolve”, concluiu.

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