Idosos já superam crianças de até 5 anos no mundo

Relatório do Censo dos EUA aponta mudança demográfica; especialistas discutem cuidados para preservar autonomia na velhice.

A população mundial com 65 anos ou mais já é maior do que a de crianças de até 5 anos, segundo o relatório An Aging World: 2025, do Departamento de Censo dos Estados Unidos. No Brasil, há mais pessoas acima de 60 anos do que crianças de até 9 anos, de acordo com o IBGE.

A Organização das Nações Unidas (ONU) projeta que, até o fim da década de 2080, a população idosa global chegará a 2,2 bilhões de pessoas e superará o total de menores de 18 anos. Para Danilo Henrique Roratto, geriatra e professor de Medicina do Centro Universitário Integrado, o desafio é fazer com que os anos a mais de vida sejam acompanhados de qualidade, autonomia e dignidade.

Envelhecimento amplia demanda por cuidados

Segundo Roratto, a mudança demográfica pressiona a estrutura assistencial e exige diretrizes de cuidado voltadas ao aumento de condições crônicas e à perda de funcionalidade. Ele afirma que a procura por serviços de saúde cresce em todos os níveis, da atenção primária à hospitalar, e alerta para a necessidade de formação profissional e programas específicos no SUS.

O geriatra cita sarcopenia, osteoartrite, osteoporose e doenças crônicas entre as condições que podem comprometer a independência. De acordo com ele, o controle de hipertensão, diabetes, dislipidemia e obesidade, a vacinação atualizada, o acompanhamento de saúde, o abandono do tabagismo, exercícios que combinem força, equilíbrio, flexibilidade e atividades aeróbicas, além de sono e estímulos cognitivos, são medidas relevantes para o envelhecimento com mais autonomia.

Adaptações em casa podem favorecer a autonomia

Jéssica Bianca de Souza, coordenadora do curso de Terapia Ocupacional da mesma instituição, afirma que a área avalia o contexto de cada pessoa idosa para criar estratégias individualizadas de participação nas tarefas diárias. Entre as adaptações domésticas citadas por ela estão barras de apoio no banheiro, retirada de tapetes soltos, utensílios na altura da cintura, objetos essenciais mantidos sempre no mesmo lugar e iluminação acessível ao lado da cama.

A especialista também orienta que familiares estimulem a pessoa idosa a realizar, no próprio ritmo, as atividades que ainda consegue fazer, em vez de assumir as tarefas por excesso de zelo.

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