Cuidados paliativos veterinários: quando priorizar o bem-estar
Médica-veterinária Brunna Gomes Re explica como o tratamento busca conforto e qualidade de vida para cães e gatos sem perspectiva de cura.
Os cuidados paliativos veterinários buscam conforto, bem-estar e qualidade de vida para animais com doenças crônicas ou sem perspectiva de cura. Nesses casos, o cuidado não termina: segundo a médica-veterinária e pesquisadora Brunna Gomes Re, muda o objetivo do tratamento, que passa a priorizar o alívio da dor e de outros desconfortos.
A indicação deve considerar as condições clínicas do animal, o vínculo com os tutores e as possibilidades reais de acompanhamento em casa. “Os cuidados paliativos são indicados em situações de doenças crônicas ou sem perspectiva de cura, especialmente quando há dor ou outros desconfortos que comprometem a qualidade de vida”, explica Brunna.
Como observar a qualidade de vida do pet
Uma avaliação prática envolve verificar se o animal consegue se movimentar, descansar, alimentar-se, fazer suas necessidades fisiológicas e brincar por conta própria. Quando alguma dessas capacidades é comprometida, devem ser avaliadas as repercussões da doença e as necessidades daquele paciente.
Escalas de dor e questionários específicos também podem apoiar esse acompanhamento. Em sua pesquisa, Brunna reuniu dados de 602 pacientes para investigar formas de monitorar a dor e a qualidade de vida de cães e gatos com a combinação de diferentes ferramentas de avaliação.
O que envolve o tratamento paliativo
Na prática, o tratamento pode incluir controle da dor, alívio de desconfortos, acompanhamento contínuo da qualidade de vida e cuidados individualizados. De acordo com a médica-veterinária, cada paciente precisa ser avaliado conforme suas condições, com protocolos e outras medidas necessárias, além do monitoramento dos resultados.
A relação entre o médico-veterinário e o tutor é outro ponto central. Segundo Brunna, além dos problemas clínicos, os profissionais precisam considerar as possibilidades e limitações de quem ficará responsável pelos cuidados em casa, para que o acompanhamento seja compatível com a realidade de cada família.
O processo também pode demandar apoio emocional aos tutores diante de doenças graves ou complicações. Mesmo em condições terminais ou de difícil resolução, Brunna ressalta que ainda é possível buscar conforto, dignidade e acompanhamento para o animal.



