Quando a cirurgia para hiperidrose pode ser indicada
Simpatectomia é avaliada quando outros tratamentos não funcionam ou não são tolerados; procedimento exige investigação e orientação sobre riscos.
A cirurgia para hiperidrose pode ser considerada quando tratamentos como antitranspirantes específicos, medicamentos orais e aplicação de toxina botulínica não apresentam resultados satisfatórios ou não são bem tolerados. Segundo os cirurgiões torácicos Liu Estradioto e Leonardo Roeder, do Hospital São Marcelino Champagnat, em Curitiba (PR), a indicação deve ser individualizada e requer investigação de possíveis causas secundárias do suor excessivo.
A hiperidrose é caracterizada pela transpiração intensa e desproporcional às necessidades do organismo, inclusive sem necessidade de resfriamento. A condição costuma atingir mãos, pés, axilas e rosto e pode começar na infância ou adolescência. De acordo com a Sociedade Brasileira de Dermatologia, citada pelo hospital, ela afeta de 2% a 3% da população.
A persistência dos sintomas por pelo menos seis meses é um dos critérios considerados na avaliação clínica, juntamente com histórico familiar e frequência dos episódios, mas não confirma o diagnóstico de forma isolada. Transpiração recente, generalizada ou noturna, especialmente quando acompanhada de febre, perda de peso ou palpitações, precisa ser investigada para identificar possíveis causas secundárias.
Como é feita a simpatectomia
Uma possibilidade cirúrgica é a simpatectomia torácica por videotoracoscopia. Realizado sob anestesia geral, o procedimento usa pequenas incisões no tórax e uma microcâmera para que o cirurgião interrompa a atividade de parte da cadeia simpática, conjunto de nervos envolvido no controle da transpiração. A técnica é mais consolidada para casos de suor excessivo nas mãos e nas axilas.
Segundo Roeder, a avaliação considera as regiões afetadas, os tratamentos já realizados e os riscos. Antes da cirurgia, também devem ser verificadas causas como alterações hormonais, infecções ou uso de medicamentos; quando identificadas, o tratamento deve priorizar a condição de origem. Histórico de cirurgias torácicas e outros fatores individuais entram na análise dos resultados esperados.
Risco de aumento do suor em outras áreas
Um dos principais efeitos adversos da simpatectomia é a hiperidrose compensatória, com aumento da transpiração em outras regiões, como costas, abdômen e coxas. De acordo com os especialistas, idade mais avançada e índice de massa corporal elevado estão associados a maior incidência desse efeito.
A retomada das atividades cotidianas costuma ocorrer entre cinco e sete dias após a cirurgia. Exercícios físicos geralmente são liberados entre 15 dias e três semanas, conforme a evolução da pessoa e a orientação médica. Roeder ressalta que, apesar dos cortes pequenos, trata-se de uma cirurgia no tórax e deve ser feita por cirurgião torácico com experiência na técnica.



