Por que competência nem sempre vira reconhecimento no trabalho

Estudos citados pela fonte apontam diferenças na autopromoção e na avaliação de potencial; especialista analisa o papel da reputação.

Competência não garante, por si só, reconhecimento profissional. Estudos citados pela especialista em posicionamento profissional Jéssica Simões indicam que mulheres podem se autopromover menos e receber avaliações inferiores sobre seu potencial para novas responsabilidades, mesmo quando têm bom desempenho.

Segundo um estudo divulgado em julho de 2026 pelo IZA Institute of Labor Economics, mulheres foram 12 pontos percentuais menos propensas do que homens a receber recomendação para uma tarefa mais ambiciosa. De acordo com o material, a diferença permaneceu mesmo quando avaliadores tiveram acesso ao desempenho real das pessoas participantes.

Outro levantamento, publicado na American Economic Review e baseado em dados de 29.809 profissionais em cargos de gestão, encontrou avaliações de desempenho superiores para mulheres, mas notas menores no critério de potencial para assumir novas responsabilidades. Segundo os pesquisadores citados no release, essa diferença respondeu por aproximadamente metade da desigualdade observada nas promoções.

Reputação profissional vai além de grandes conquistas

Para Jéssica Simões, CEO da Aster Content, esperar uma promoção, um prêmio ou um resultado extraordinário para falar sobre a própria trajetória pode limitar a participação em conversas profissionais. A especialista afirma que aprendizados adquiridos ao resolver problemas, conduzir equipes ou acompanhar um setor também podem demonstrar conhecimento.

Ela ressalta que posicionamento não se resume às redes sociais. A reputação também é influenciada pela forma como uma pessoa se relaciona com colegas, conduz conversas, toma decisões e compartilha conhecimento.

Simões usa o modelo de Harvey Coleman para abordar três dimensões do crescimento profissional: desempenho, imagem e exposição. Desempenho se refere à qualidade do trabalho; imagem, à maneira como a pessoa é percebida; e exposição, às oportunidades de tornar competências conhecidas por pessoas relevantes para a trajetória profissional.

Na avaliação da especialista, uma postura mais ativa não significa criar uma personagem nem buscar visibilidade constante. O ponto é reconhecer as próprias competências e comunicar o repertório acumulado de modo consciente, inclusive em relações e espaços fora das redes sociais.

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