Leitura compartilhada pode favorecer o bem-estar emocional
Revisão de 15 estudos apontou melhorias em bem-estar e qualidade de vida; psicóloga ressalta que livros não substituem tratamento.
A leitura compartilhada entre adultos pode contribuir para o bem-estar emocional e a qualidade de vida, segundo uma revisão de escopo publicada em 2025 na revista Frontiers in Psychology. O trabalho analisou 15 estudos e, em grande parte das pesquisas, observou melhorias no bem-estar psicológico, na qualidade de vida e redução de sintomas depressivos.
Os estudos qualitativos incluídos na revisão também apontaram possíveis benefícios para a convivência em grupo e o sentimento de comunidade. Para a psicóloga Mariana Ramos, professora da Afya Centro Universitário Itaperuna, a leitura pode oferecer uma pausa para refletir sobre emoções, relações e desafios cotidianos.
O efeito da leitura varia entre as pessoas
Ao acompanhar personagens e conflitos, uma pessoa pode entrar em contato com experiências diferentes das suas e pensar sobre sentimentos ou situações vividas. Porém, esse processo não ocorre da mesma maneira para todos, afirma a especialista.
“A interpretação de uma obra depende das experiências anteriores, dos conhecimentos, das crenças e do momento emocional de cada leitor. Por isso, embora a literatura possa estimular o autoconhecimento e a empatia, esses efeitos não são automáticos nem garantidos”, explica Mariana Ramos.
A escolha do conteúdo e as condições de leitura também interferem na experiência. Nem todo livro provoca tranquilidade: algumas obras podem despertar tristeza, ansiedade, lembranças dolorosas ou desconforto emocional. Não há, segundo o material, um tempo mínimo universalmente estabelecido para que a leitura produza benefícios emocionais.
Pequenos momentos podem ajudar a criar o hábito
Quem quer incluir livros na rotina pode começar com poucos minutos, antes de dormir, em uma pausa do trabalho ou em outro momento tranquilo do dia. Romances, contos, poesia, crônicas, biografias e livros informativos estão entre as opções citadas; a recomendação é respeitar as preferências individuais, sem transformar a atividade em cobrança ou meta rígida.
Conversar sobre uma obra em clubes do livro ou encontros com amigos pode ampliar a troca de interpretações e fortalecer vínculos sociais, de acordo com a docente. Ainda assim, a leitura não substitui psicoterapia nem outros tratamentos indicados. Quando tristeza, ansiedade ou angústia persistem e interferem nas atividades diárias ou na qualidade de vida, a orientação da psicóloga é buscar avaliação profissional.



