Estudo aponta baixa adoção de teste genômico no câncer de pulmão
Pesquisa ReaLuNGS, com 1.125 pacientes latino-americanos, encontrou uso de NGS antes do tratamento em 20,5% dos casos.
Apenas 20,5% dos pacientes com câncer de pulmão avançado avaliados no estudo ReaLuNGS fizeram sequenciamento de nova geração (NGS) antes de iniciar o tratamento. A pesquisa, apresentada no Congresso Europeu de Oncologia Médica (ESMO 2026), em Madri, analisou dados de 1.125 pacientes de sete países da América Latina, incluindo o Brasil.
O NGS é uma técnica que investiga simultaneamente dezenas ou centenas de genes relacionados ao câncer. Segundo o estudo, 85,3% dos pacientes submetidos ao exame tiveram uma avaliação molecular considerada suficiente pelos critérios da pesquisa, que incluíam os biomarcadores EGFR, ALK, ROS1 e BRAF. Entre os avaliados por testes convencionais, o índice foi de 38,4%.
Exame identificou mais alterações potencialmente acionáveis
Alterações genômicas potencialmente acionáveis em EGFR, ALK, ROS1 e BRAF foram identificadas em 40,3% dos pacientes que fizeram NGS, ante 29,6% entre aqueles avaliados por testes convencionais. De acordo com o ReaLuNGS, o sequenciamento abrangente também identificou mais alterações para as quais já existem tratamentos específicos disponíveis, sem atrasar o início da terapia.
O oncologista clínico Breno Jeha Araújo, responsável por genômica clínica na OC Medicina de Precisão Oncoclínicas, afirma que investigar várias alterações genômicas ao mesmo tempo amplia a possibilidade de identificar alvos para terapias específicas. Segundo ele, a informação precisa estar disponível antes da definição do tratamento inicial para poder orientar a decisão clínica.
Limites de acesso vão além da disponibilidade do teste
O estudo destaca que a realização e a utilidade dos testes dependem também da qualidade e da quantidade de material obtido na biópsia, da conservação das amostras, da infraestrutura laboratorial, da cobertura pelos sistemas de saúde e do tempo para liberação dos resultados.
O oncologista Rodrigo Dienstmann, diretor médico da OC Medicina de Precisão da Oncoclínicas, ressalta que o resultado do exame precisa chegar a tempo de influenciar a escolha terapêutica. O NGS não determina sozinho a melhor terapia, e nem todos os pacientes terão uma alteração tratável, mas pode ampliar as informações disponíveis para a equipe médica.



