Como cuidar da saúde mental após as eleições

Psiquiatra Guido Boabaid May orienta a reduzir a sobrecarga de notícias, proteger vínculos e buscar ajuda se sintomas persistirem.

O fim de uma eleição pode ser acompanhado de alívio, frustração, ansiedade, irritação ou cansaço após meses de debates, notícias e discussões. Para o psiquiatra Guido Boabaid May, CEO da GnTech, o encerramento do processo não elimina automaticamente a carga emocional acumulada.

“Eleição mexe com valores, identidade e expectativas de futuro. Por isso, o fim do processo não encerra automaticamente a carga emocional. Muita gente passa semanas em estado de tensão e só percebe o desgaste quando a poeira baixa”, explica o médico.

Reconhecer emoções e limitar estímulos

Uma das orientações do psiquiatra é reconhecer o que se sente. Frustração, euforia, medo, raiva ou indiferença são reações possíveis, segundo May. Para ele, nomear a emoção pode ajudar a organizá-la, enquanto negar o sentimento tende a aumentar a tensão.

O médico também recomenda fazer pausas no consumo de notícias e redes sociais. Definir horários para se informar e reduzir a exposição a comentários, brigas online e conteúdos que alimentem a irritação são medidas sugeridas por ele. “Estar bem informado é diferente de estar o tempo todo exposto. O excesso de estímulo mantém a ansiedade ativa e atrapalha o sono, a concentração e o humor”, diz.

Vínculos, rotina e momento de pedir ajuda

Para preservar relações pessoais, May sugere uma “trégua” em conversas de família, grupos de mensagens e ambientes de trabalho. A proposta é não deixar que divergências políticas ocupem todos os assuntos e desgastem os vínculos.

Retomar hábitos como sono regular, alimentação equilibrada, atividade física, contato com a natureza e lazer também integra as orientações do psiquiatra. Segundo ele, a previsibilidade da rotina pode ajudar o organismo a relaxar depois de um período intenso.

Por fim, May recomenda direcionar a energia para aspectos que dependem de cada pessoa, como trabalho, família, amigos, comunidade e projetos pessoais. Caso tristeza, irritabilidade, ansiedade ou insônia persistam por semanas e prejudiquem o dia a dia, ele orienta procurar um profissional. “Pedir ajuda não é sinal de fraqueza”, afirma.

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