Afastamentos por transtorno do jogo subiram 439% em dois anos
Benefícios temporários do INSS passaram de 67 em 2023 para 361 em 2025, segundo dados da Previdência Social.
Os afastamentos do trabalho relacionados ao transtorno do jogo cresceram cerca de 439% no Brasil em dois anos, segundo dados divulgados pela Subsecretaria de Estatísticas e Estudos do Trabalho, do Ministério do Trabalho e Emprego. Os benefícios por incapacidade temporária do INSS passaram de 67, em 2023, para 157 em 2024 e 361 em 2025, de acordo com informações da Previdência Social.
O levantamento se refere a trabalhadores que tiveram acesso ao benefício previdenciário e passaram por avaliação para reconhecimento da incapacidade temporária. Por isso, os dados não permitem concluir que a expansão ou a regulamentação das apostas tenha causado diretamente o aumento dos afastamentos.
Para receber o benefício, a pessoa segurada precisa apresentar uma condição de saúde que a impeça de trabalhar durante determinado período. Nos casos relacionados ao transtorno do jogo, os registros indicam que os prejuízos podem alcançar o funcionamento cotidiano e profissional, além da esfera financeira.
Quem aparece nos registros
Homens representam 71% dos beneficiários afastados no levantamento brasileiro. A maior concentração está entre pessoas de 30 a 49 anos: 44,1% têm de 30 a 39 anos e 22,8% têm de 40 a 49 anos, o equivalente a 66,9% dos casos analisados.
O transtorno do jogo é classificado internacionalmente entre os transtornos decorrentes de comportamentos aditivos. Conforme descrito no material, ele pode envolver dificuldade persistente para controlar as apostas, prioridade crescente dada ao jogo e manutenção do comportamento mesmo diante de consequências negativas. A Organização Mundial da Saúde estima que cerca de 1,2% da população adulta mundial apresenta o transtorno.
Sinais de alerta e onde buscar assistência
O Ministério da Saúde aponta como sinais de atenção esconder ou mentir sobre o tempo e o dinheiro gastos com apostas, apostar novamente para tentar recuperar perdas, comprometer contas ou economias, ter alterações de sono, humor ou rotina, abandonar atividades importantes e enfrentar conflitos familiares ligados ao jogo.
A existência do transtorno exige avaliação profissional: frequência ou intensidade das apostas, isoladamente, não definem um diagnóstico. Pessoas que identificarem prejuízos relacionados às apostas podem procurar uma Unidade Básica de Saúde ou um Centro de Atenção Psicossocial. Segundo o material, o SUS também oferece avaliação e teleatendimento pelo Meu SUS Digital para pessoas com problemas ligados a jogos e apostas e para familiares.



