Planejamento de 2027 exige rever prioridades além do orçamento

Especialistas da Board Academy alertam que metas de expansão precisam considerar retorno, capacidade operacional e autonomia dos gestores.

Repetir o orçamento de 2026 sem reavaliar investimentos, prioridades e capacidade de execução pode comprometer o planejamento estratégico de 2027, segundo Eduardo Gomes e Thalita Ligeiro, da Board Academy. Para os especialistas, a definição de metas precisa considerar não apenas os recursos disponíveis, mas também demanda, rentabilidade esperada, equipes, sistemas e condições de atendimento.

O tema ganha espaço enquanto lideranças lidam com demandas imediatas. De acordo com a 29ª CEO Survey da PwC, publicada em janeiro de 2026, presidentes de empresas brasileiras dedicam, em média, 57% do tempo a questões com horizonte inferior a um ano.

Orçamento deve refletir escolhas estratégicas

Gomes, cofundador e presidente do conselho da Board Academy, afirma que o planejamento deve definir onde a empresa pretende competir e como espera gerar resultado. Na avaliação dele, começar apenas pela distribuição das verbas pode manter estruturas e projetos que já não atendem às necessidades do negócio.

A análise financeira participa da seleção de propostas, inclusive para descartar iniciativas incompatíveis com o caixa. Mas, segundo a fonte, a disponibilidade de dinheiro isoladamente não determina a qualidade de um investimento: também devem entrar na avaliação a demanda, o retorno esperado e as competências necessárias para executar a iniciativa.

Capacidade operacional e projetos em curso

Thalita Ligeiro, diretora de Produtos, Novos Projetos e Planejamento Estratégico da Board Academy, destaca que as áreas responsáveis pelas entregas devem participar antes da aprovação das metas. Uma empresa pode ter demanda para vender mais, mas não contar com equipe, sistemas ou capacidade de atendimento para absorver esse volume.

A revisão, segundo os especialistas, também alcança investimentos já em andamento. A decisão de mantê-los deve considerar o capital ainda necessário, as perspectivas de retorno e as oportunidades que deixam de receber atenção. Para Gomes, valores já aplicados não devem justificar, sozinhos, a continuidade de um projeto.

Responsáveis e autonomia na execução

Depois de definir prioridades, a execução depende de responsáveis, prazos e autonomia para lidar com obstáculos. Ligeiro afirma que indicar um nome ao lado de uma meta não basta: é preciso esclarecer quais decisões a pessoa pode tomar, de quais áreas depende e a quem recorrer diante de impedimentos.

O acompanhamento dos resultados também deve ir além do faturamento, conforme os especialistas. Uma expansão pode elevar as vendas e, ao mesmo tempo, reduzir a margem ou pressionar o capital de giro. A agenda da KPMG para conselhos de administração no segundo semestre de 2026 e o planejamento de 2027 inclui inteligência artificial, reforma tributária, riscos cibernéticos e desenvolvimento de lideranças entre os temas estratégicos.

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