Estudo aponta mortalidade de 59% em 30 dias após insuficiência cardíaca

Pesquisa PURE analisou 172.653 pessoas em 25 países e encontrou maior mortalidade entre pacientes de nações de baixa renda.

Pessoas de países de baixa renda que tiveram um primeiro episódio de insuficiência cardíaca apresentaram mortalidade de 59% em até 30 dias, segundo análise do estudo internacional PURE publicada no Journal of the American College of Cardiology. Nos países de alta renda, o percentual foi de 11%.

A pesquisa acompanhou 172.653 pessoas de 25 países, incluindo o Brasil, por cerca de 15 anos. Os participantes tinham entre 35 e 70 anos no início do acompanhamento e viviam em comunidades urbanas e rurais. Os percentuais se referem às pessoas que desenvolveram insuficiência cardíaca durante o estudo, e não à população total dos países analisados.

Após cinco anos do primeiro episódio, a mortalidade chegou a 77% entre pacientes dos países de baixa renda, ante 28% nos de alta renda. O estudo também registrou diferenças regionais: no sul da Ásia e na África Subsaariana, cerca de 63% dos primeiros episódios foram seguidos de morte em até 30 dias; na América do Norte, a taxa foi de 12%.

Menos casos registrados não indicam menor carga da doença

Os países de menor renda registraram menos novos casos de insuficiência cardíaca, mas tiveram maior mortalidade entre quem desenvolveu a doença. Segundo o cardiologista Álvaro Avezum, autor do estudo e diretor do Centro Internacional de Pesquisa e Head de Cardiologia do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, esse resultado pode estar relacionado a barreiras no diagnóstico, no acesso ao tratamento e na continuidade do cuidado.

O estudo não permite determinar quanto da diferença de mortalidade está ligada ao diagnóstico tardio, à dificuldade de acesso a medicamentos ou à falta de acompanhamento contínuo. Avezum ressalta que registrar menos casos não significa necessariamente menor frequência da doença, pois parte dos pacientes pode não ser identificada nas fases iniciais.

Hipertensão teve maior contribuição estimada

Na população estudada, a contribuição conjunta estimada de 13 fatores potencialmente preveníveis ou controláveis para novos casos chegou a 71,7%. A hipertensão teve o maior peso estimado, de 24,6%, seguida por baixa escolaridade (7,6%), tabagismo (6,5%), doença isquêmica do coração (6,1%) e diabetes (5,9%). Esses números não indicam que cada caso tenha uma única causa nem que as ocorrências seriam automaticamente evitadas, pois os fatores podem se sobrepor.

A insuficiência cardíaca ocorre quando alterações estruturais ou funcionais do coração comprometem sua capacidade de fornecer sangue adequadamente ao organismo. Falta de ar, cansaço fora do comum, inchaço nas pernas, ganho rápido de peso e redução da capacidade para esforços devem ser avaliados por um profissional de saúde, pois isoladamente não confirmam a doença, mas podem indicar necessidade de investigação.

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