Dívida pública projetada para 2027 pode afetar crédito
Estimativa da IFI indica alta da dívida bruta; consultor explica possíveis impactos de juros e inflação no orçamento das famílias.
Projeções da Instituição Fiscal Independente (IFI), órgão vinculado ao Senado Federal, indicam que a dívida bruta do governo geral pode passar de 82,5% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026 para 86,4% em 2027. Segundo a instituição, a evolução desse indicador depende de fatores como crescimento econômico, juros, receitas e despesas públicas.
O aumento da dívida não implica automaticamente alta de preços ou dos juros. Mas, de acordo com Gabriel Eisner, consultor financeiro e sócio da Mhydas Planejamento Financeiro, a percepção de risco fiscal pode influenciar os juros de longo prazo, os investimentos e as condições de financiamento para empresas e consumidores.
Projeções para PIB, inflação e Selic
Na edição de 26 de outubro de 2026, baseada em expectativas coletadas antes do segundo turno das eleições, o Boletim Focus projetava crescimento de 1,8% do PIB em 2026 e de 1,31% em 2027. As medianas para a inflação eram de 5,19% e 4,34%, respectivamente.
A taxa Selic esperada para o fim de 2027 era de 11,75%, abaixo do patamar de 13,75% citado no material. As estimativas, porém, não são iguais entre as instituições: o Ministério da Fazenda projetava expansão de 2,3% do PIB em 2027.
Como o cenário pode chegar ao orçamento
Segundo Eisner, famílias de menor renda tendem a ter menor margem para absorver altas em despesas essenciais, como alimentação, transporte, energia, gás de cozinha e medicamentos. Se os rendimentos não acompanharem a inflação, há perda de poder de compra.
Juros elevados também podem encarecer empréstimos pessoais, parcelamentos e o crédito rotativo do cartão. Para famílias com planos de financiar imóvel, trocar de carro ou assumir outros compromissos de médio e longo prazo, o custo de novos financiamentos pode influenciar a decisão de adiar gastos.
O consultor ressalta que combustíveis e alimentos também dependem de preços internacionais, safras, custos de produção, tributação e políticas específicas. Já para quem investe, retornos nominais maiores na renda fixa em um ambiente de juros altos não definem, por si só, o resultado efetivo, que depende da inflação, dos impostos e das características de cada aplicação.
Para Eisner, o cenário exige atenção à capacidade de pagamento e aos compromissos futuros. O resultado para o bolso das famílias dependerá das medidas econômicas adotadas, das contas públicas, das decisões do Banco Central e das condições externas.



