Como lidar com pedidos das crianças no supermercado
Nutricionista orienta responsáveis a combinar limites, oferecer escolhas e ensinar a observar rótulos durante as compras.
Combinar a lista antes de sair, oferecer opções delimitadas e olhar os rótulos são estratégias para lidar com os pedidos das crianças no supermercado, segundo a nutricionista infantil Ana Carolina Donan, gerente de Comunicação Científica da Papapá. A proposta, afirma a especialista, é incluir os pequenos nas decisões sem deixar que eles definam sozinhos o carrinho.
Uma pesquisa brasileira publicada neste ano na revista científica Nutrition, baseada em dados do IBGE, identificou maior disponibilidade de biscoitos, salgadinhos e bebidas açucaradas em domicílios com crianças e adolescentes, de acordo com o material divulgado pela empresa. O estudo não indica quem toma as decisões de compra, mas aponta uma relação entre a composição familiar e os alimentos disponíveis em casa.
O que fazer antes e durante as compras
A primeira recomendação é conversar com a criança sobre o que será comprado antes de ir ao supermercado. Dependendo da idade, ela pode ajudar a montar a lista e identificar o que está faltando, o que pode reduzir conflitos diante das prateleiras.
Donan também sugere oferecer escolhas previamente definidas pelos responsáveis, como duas opções de frutas ou a decisão sobre quais vegetais serão consumidos na semana. Assim, a criança participa sem assumir todas as decisões.
Outro ponto é ensinar que personagens, cores e desenhos nas embalagens não devem ser o único critério de escolha. Conforme a idade, os responsáveis podem apresentar a lista de ingredientes e as informações nutricionais. A nutricionista cita ainda a lupa presente em embalagens que indicam alto teor de nutrientes críticos.
Fome e recompensa também influenciam escolhas
Planejar a ida ao mercado para depois de a criança se alimentar pode tornar as escolhas menos difíceis, segundo a especialista. Respeitar horários de sono e descanso também é uma orientação especialmente relevante para os menores.
Por fim, a nutricionista recomenda não prometer doces ou outros produtos como recompensa por bom comportamento. Para ela, estabelecer limites com tranquilidade, sem tratar alimentos como proibidos ou como moeda de negociação, ajuda a construir uma relação mais equilibrada com a alimentação.
“Uma embalagem divertida não significa necessariamente que o alimento tenha uma composição ruim, assim como uma embalagem com aparência saudável não garante que o produto seja nutricionalmente adequado”, conclui Donan.



