Climatério: 60% relatam falhas de memória na transição menopausal
Dados do SWAN citados no material apontam que sono, humor, ansiedade e ondas de calor também influenciam as queixas cognitivas.
Cerca de 60% das mulheres relatam problemas de memória durante a transição menopausal, segundo dados do SWAN citados pela neuropsicóloga Anelise Pirola. No estudo, o desempenho cognitivo ficou estagnado na perimenopausa e voltou a evoluir após a menopausa, o que, de acordo com o material, indica que a chamada “névoa mental” não é sinal de demência.
As queixas de memória no climatério podem se relacionar a diferentes fatores. O material cita estudos que associam sono ruim a pior desempenho em memória verbal e atenção na pós-menopausa. No próprio SWAN, porém, a gravidade dos distúrbios do sono não explicou sozinha os resultados dos testes: humor, ansiedade, ondas de calor e depressão também tiveram peso.
Sono é frequente no climatério
Segundo uma revisão apresentada em conferência de consenso dos Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos (NIH), problemas de sono foram relatados por 16% a 42% das mulheres na pré-menopausa, por 39% a 47% na perimenopausa e por 35% a 60% na pós-menopausa.
O texto também menciona um estudo da Unifesp, com uma amostra pequena de 33 mulheres na pós-menopausa submetidas à polissonografia. Nele, 61% das participantes relataram insônia, enquanto o exame confirmou o problema em 83%.
“Dormir mal tem causa, e a queixa de memória merece ser investigada com critério, porque o sono, o humor e a atenção conversam o tempo todo”, afirma Pirola.
Quando a queixa precisa de investigação
De acordo com a especialista, uma avaliação neuropsicológica pode mapear atenção, memória e funções executivas para diferenciar queixas ligadas a sono, estresse e sobrecarga de alterações que merecem investigação médica. Ela recomenda atenção a dificuldades para dormir ou despertares frequentes em três ou mais noites por semana por cerca de três meses, além de roncos altos, pausas na respiração, sonolência excessiva durante o dia e falhas de memória ou atenção que afetem trabalho e rotina.
O material orienta procurar ginecologista ou endocrinologista e, quando necessário, um médico do sono. A terapia hormonal, quando indicada, é uma decisão individual e médica.



