Solidão atinge 36,5% dos brasileiros, aponta pesquisa

Levantamento com 4.601 pessoas associa o sentimento a pior percepção de saúde mental e destaca a convivência com amigos como fator de proteção.

A solidão atinge 36,5% dos brasileiros e foi o fator mais fortemente associado à pior percepção de saúde mental no país, segundo o Panorama da Saúde Mental 2026. A pesquisa ouviu 4.601 pessoas em todo o Brasil e mediu a saúde mental pelo ICASM, escala de zero a mil pontos.

Entre as pessoas que se sentiram sozinhas três vezes ou mais, a pontuação média foi de 383 pontos. Entre quem não relatou o sentimento, chegou a 782 pontos. De acordo com o levantamento, esta foi a primeira vez que a série histórica investigou a solidão.

Qualidade dos vínculos aparece nos dados

Os resultados indicam que estar só não é necessariamente o mesmo que sentir solidão. O sentimento foi relatado por 51,7% das pessoas solteiras, mas também por 26,6% das casadas. Entre quem afirmou brigar com frequência com familiares, o percentual chegou a 84,2%.

A convivência com amigos apareceu como fator de proteção no levantamento: pessoas que encontraram amigos nas duas semanas anteriores registraram 737 pontos no ICASM, ante 539 pontos entre aquelas que não tiveram esse contato.

Preocupação financeira, sono e uso de IA

A preocupação financeira foi citada por 78,1% dos entrevistados, e 70,6% disseram ter dormido menos de seis horas ao menos uma vez no período analisado. Entre quem se sente sozinho, 32,1% buscou companhia em inteligência artificial; entre quem não relatou solidão, o índice foi de 1,8%.

Para Caroline Macarini, psicóloga e responsável técnica da plataforma Unolife, os dados mostram que a solidão costuma estar acompanhada de aperto financeiro, cansaço e pouca rede de apoio. Sobre ferramentas de inteligência artificial, ela avalia que elas podem servir de apoio, mas não substituem atendimento humano ou vínculos sociais.

A Unolife informa que não oferece atendimento imediato a pessoas em crise. Em caso de sofrimento intenso, a orientação da empresa é ligar para o CVV, no número 188, ou procurar um hospital em situações de emergência.

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