Canetas emagrecedoras exigem atenção à perda de massa magra

Estudo com tirzepatida apontou que 25% do peso perdido era massa magra; endocrinologista explica cuidados e sinais de alerta.

O emagrecimento com medicamentos como semaglutida e tirzepatida exige atenção não apenas ao peso na balança, mas também à preservação da massa magra, que inclui músculos, água e outros tecidos. Segundo a endocrinologista Mariana de Souza Furtado, professora da Afya Ipatinga, perdas rápidas ou acentuadas podem comprometer a força e a funcionalidade, especialmente entre idosos.

Dados do estudo clínico SURMOUNT-1, publicado na revista Diabetes, Obesity and Metabolism, acompanharam 160 adultos com sobrepeso ou obesidade durante 72 semanas de tratamento com tirzepatida. Conforme o material divulgado, cerca de 75% do peso eliminado correspondeu à gordura corporal e 25%, à massa magra.

A médica ressalta que essa proporção pode variar entre estudos: a massa magra pode representar de uma parcela pouco expressiva a até 40% do peso total perdido. A redução muscular, segundo ela, pode diminuir a taxa metabólica basal, favorecer o ganho de peso e afetar mobilidade, risco de quedas e independência nas atividades diárias.

Cuidados para preservar a musculatura

De acordo com Mariana Furtado, alimentação equilibrada, exercícios físicos e acompanhamento profissional são medidas importantes durante o uso desses medicamentos. Como a redução do apetite e aversões alimentares podem ocorrer, ela orienta priorizar alimentos proteicos nas refeições, como ovos, iogurte, carnes e queijos. Shakes e barras proteicas podem complementar a ingestão quando necessário.

A endocrinologista afirma que o consumo de proteínas isoladamente pode não ser suficiente. Ela recomenda de duas a três sessões semanais de exercícios resistidos, envolvendo os principais grupos musculares, associadas à atividade aeróbica regular.

Sinais que merecem avaliação

A especialista cita redução da força de preensão manual, maior dificuldade em tarefas que exigem força e queda no desempenho físico como sinais de atenção. Lentidão para levantar da cadeira, redução da velocidade ao caminhar e mais cansaço em atividades cotidianas também podem indicar comprometimento muscular.

Segundo ela, avaliações de composição corporal, força, desempenho físico e estado nutricional antes e durante o tratamento ajudam a monitorar possíveis perdas. Entre os métodos mencionados estão a densitometria por dupla emissão de raios X (DXA), a bioimpedância e testes funcionais.

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