Carignan: como a uva ganhou espaço no Vale do Maule

Celebrada em 29 de outubro, variedade de origem espanhola passou de reforço em blends a destaque em vinhas antigas chilenas.

A Carignan, uva celebrada no International Carignan Day em 29 de outubro, ganhou relevância no Vale do Maule, no Chile, a partir de vinhas antigas cultivadas por pequenos produtores. Segundo Diego Peres, sommelier da Bodegas Grupo Wine, quando produzida com rendimentos controlados, especialmente em plantas mais velhas, a variedade pode originar tintos de cor intensa, acidez marcante e taninos presentes.

De provável origem no Aragão, na Espanha, onde também é chamada de Cariñena ou Mazuelo, a uva se espalhou por regiões mediterrâneas, como o sul da França e a Sardenha. Durante muito tempo, foi empregada sobretudo pela produtividade, cor e estrutura que acrescentava a vinhos elaborados em corte.

O cultivo da Carignan no Maule

No Chile, o plantio da Carignan se fortaleceu após o terremoto de Chillán, em 1939, para auxiliar na recuperação dos vinhedos e contribuir com cor, acidez e estrutura aos vinhos locais, tradicionalmente feitos com a uva País. Décadas mais tarde, parte dessas videiras permaneceu em pequenas propriedades do interior do Maule, conduzida em vaso e cultivada em sequeiro, sem irrigação regular.

De acordo com o material da Bodegas Grupo Wine, a seca e as condições climáticas locais limitam naturalmente os rendimentos dessas vinhas maduras. Essa combinação pode resultar em vinhos concentrados sem abrir mão da acidez. A associação VIGNO é citada como uma das iniciativas que ajudaram a valorizar esses vinhedos e a ampliar a visibilidade da região.

Um rótulo feito com videiras de mais de 50 anos

Entre os exemplos mencionados está o T.H. Terroir Hunter D.O. Valle del Maule Carignan, da Viña Undurraga. Segundo Peres, as uvas do rótulo vêm de dois vinhedos com plantas de mais de 50 anos, e o vinho amadurece por 16 meses em carvalho francês. O sommelier descreve notas de frutas silvestres e cerejas, nuances florais e especiadas, além de taninos firmes.

A safra 2024 recebeu 93 pontos da Robert Parker Wine Advocate e 92 pontos da Decanter e de Tim Atkin, conforme divulgado pela Bodegas Grupo Wine. As avaliações integram o percurso de uma variedade que, no Maule, passou a ser reconhecida também por sua expressão em vinhos de origem específica.

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