86% consideram seleção ao decidir aceitar uma vaga
Pesquisa da Serasa Experian indica que 74% já ficaram sem retorno; em média, 18 dias de silêncio fazem candidatos perder o interesse.
Para 86% dos trabalhadores brasileiros, a forma como uma empresa conduz o processo seletivo influencia total ou parcialmente a decisão de aceitar uma proposta de emprego. O dado é da pesquisa “Saúde Financeira dos Trabalhadores Brasileiros”, da Serasa Experian, realizada online entre 12 e 30 de junho de 2026.
O levantamento ouviu 1.008 profissionais de empresas públicas, privadas sob regime CLT e trabalhadores PJ. A margem de erro informada é de 3,1 pontos percentuais, com intervalo de confiança de 95%.
Falta de retorno afeta a experiência de quem busca emprego
Segundo a pesquisa, 74% dos entrevistados já participaram de uma seleção sem receber retorno ao menos uma vez. Para 64%, isso ocorreu algumas ou várias vezes; 26% afirmaram nunca ter vivido essa situação.
A frustração foi o sentimento mais citado por 41% diante da ausência de resposta dos empregadores, seguida pela sensação de desrespeito. O tempo também pesa: em média, 18 dias sem retorno são suficientes para que a pessoa perca o interesse pela vaga. Metade dos participantes disse que chegaria a esse ponto em até duas semanas.
Na avaliação dos processos seletivos atuais, 30% os consideram pouco adequados e 26%, excessivamente longos e burocráticos. Outros 39% os classificam como adequados, enquanto 5% os veem como muito adequados.
Entrevistas e uso de IA no recrutamento
Durante entrevistas, 55% dos profissionais disseram que precisam adaptar o comportamento, embora ainda consigam ser quem são. Outros 17% afirmaram sentir necessidade de “atuar” para atender às expectativas, e 28% relataram conseguir ser autênticos nas conversas com recrutadores.
O uso de inteligência artificial nas etapas iniciais do recrutamento divide opiniões. De acordo com a Serasa Experian, 41% não se sentem confortáveis com uma análise inicial feita por IA, enquanto outros 41% aceitariam a tecnologia se houvesse supervisão humana. Apenas 13% se declararam totalmente confortáveis com esse tipo de avaliação.
Entre integrantes da Geração Z, 20% afirmaram se sentir totalmente confortáveis com análise inicial por IA; entre Millennials, a proporção é de 12%, e entre profissionais da Geração X, de 11%. Para Délber Lage, diretor de Soluções para RH da Serasa Experian, a tecnologia pode apoiar o recrutamento, mas decisões sobre pessoas exigem critérios claros e participação humana.



