SuperFrete cria ecossistema de agentes de IA para seus times
Sistema interno Xavier reúne agentes para atendimento, antifraude, dados, custos e processos de marketing da empresa.
Por: Caroline Kadlec
Na SuperFrete, a inteligência artificial deixou de ser uma ferramenta de apoio pontual e passou a fazer parte da forma como os times trabalham. A empresa vem incorporando a IA à rotina para otimizar processos, organizar informações e permitir que as pessoas dediquem mais tempo ao trabalho estratégico e criativo.
Esse movimento combina o uso de ferramentas de mercado, como ChatGPT e Claude, com o desenvolvimento de soluções próprias, pensadas a partir das necessidades reais de cada área.
O centro dessa estratégia é o Xavier, sistema de IA desenvolvido pela SuperFrete que funciona como um orquestrador de agentes especializados. Na definição da própria empresa, é o "sistema operacional de IA que conhece a SuperFrete por dentro". Cada agente tem nome, função e acessos próprios e atua como um colega que já sabe onde ficam os dados, as ferramentas e as regras do negócio.
Pelo Xavier, os times conseguem criar novos agentes, conectar ferramentas, serviços e informações, e organizar projetos, tarefas, reuniões e processos. Por serem alimentados e conectados às bases de conhecimento da própria SuperFrete, esses agentes são de uso interno e foram desenhados para facilitar o acesso dos colaboradores a conhecimentos já consolidados pela empresa.
Um agente para cada desafio da operação:
Hoje, o ecossistema do Xavier reúne agentes que atuam em diferentes frentes do negócio.
A Lia é a IA de atendimento da SuperFrete. Ela responde aos usuários, tira dúvidas, faz a triagem de problemas e, quando possível, resolve as demandas sozinha.
A Íris atua no combate à fraude. Com base nas regras definidas pela empresa, monitora movimentações suspeitas dentro do aplicativo e, por meio de um fluxo ágil, aciona o time de Antifraude.
O Aurélio é o agente especialista em dúvidas internas. Ele responde sobre produtos, regras, prazos e processos consultando a base de documentação da empresa, verifica rastreios e trabalha com playbooks de cada transportadora para orientar sobre cancelamentos, suspensões, avarias, devoluções e outros temas operacionais. O resultado é agilidade: em vez de procurar a informação em diferentes documentos ou esperar alguém responder, o colaborador recebe a resposta em segundos.
O Alan-Turing é o agente de dados. Ele faz consultas e análises, responde a perguntas sobre métricas como emissões, postagens e usuários, gera consultas SQL e cria painéis de visualização. Como consulta diretamente o catálogo de dados e as tabelas oficiais da empresa, garante mais precisão. E, por guardar o contexto de análises anteriores, evita que o time precise explicar tudo novamente a cada nova pergunta.
O Atlas é o agente de reuniões. Ele registra o que é discutido nos encontros e envia, ao final, um resumo organizado para todos os participantes. Assim, ninguém precisa interromper a conversa para anotar e nenhum combinado se perde.
Já o Mão de Vaca é o "fiscal" de custos de infraestrutura em nuvem. Ele analisa faturas para identificar aumentos, anomalias e oportunidades de economia, separando picos pontuais de tendências reais de crescimento e estimando o impacto, o esforço e o risco de cada recomendação. Na prática, ajuda a empresa a descobrir onde o dinheiro está vazando e quando vale a pena investigar.
No Marketing, IA a serviço da marca e da criatividade:
No time de Marketing, esse movimento ganhou ainda mais força em setembro, com o lançamento de um novo agente do Xavier: o Guardião da Marca. A proposta é transformar o conhecimento de marca em um recurso acessível para toda a empresa.
Disponível diretamente pelo Slack, o Guardião da Marca pode ser acionado pelos colaboradores como mais um integrante do time. É possível fazer perguntas, consultar direcionamentos, esclarecer dúvidas e pedir apoio em decisões relacionadas à marca, sempre com base em definições estratégicas, diretrizes e materiais previamente aprovados pela empresa. Na prática, isso democratiza o acesso ao conhecimento de marca sem perder consistência: em vez de depender de uma única pessoa ou buscar informações espalhadas em diferentes arquivos, o colaborador consulta os direcionamentos de forma rápida, no próprio ambiente em que já trabalha.
A aplicação da IA no Marketing vai além da consulta de informações. A SuperFrete implementou uma automação com o Claude que transformou a abertura de briefings para o time de design. Antes, as informações precisavam ser organizadas e repassadas manualmente. Agora, os colaboradores preenchem um formulário e a automação estrutura o briefing, registra a solicitação, prioriza as demandas e envia atualizações de status diretamente no Slack. Com isso, os designers recebem pedidos mais claros e estruturados e podem concentrar seu tempo na criação e na execução das peças.
A tecnologia também apoia a organização e a visualização dos dados do time. Com dashboards estruturados com apoio da IA, o Marketing consolida indicadores que antes ficavam dispersos, como o volume de produção ao longo do mês, as áreas que mais demandam materiais e a consistência da marca nos canais. A IA reduz o esforço operacional de compilar e organizar essas informações, enquanto a análise, a interpretação dos indicadores e as decisões seguem nas mãos das pessoas, considerando o contexto, a estratégia e os objetivos do negócio.
Tecnologia moldada pela operação, e não o contrário:
Essa complementaridade é central na forma como a SuperFrete enxerga a tecnologia: a inteligência artificial elimina fricções da rotina, organiza informações e amplia a capacidade dos times, enquanto o olhar humano, a sensibilidade, a criatividade e a capacidade analítica continuam direcionando cada escolha.
À medida que os próprios times identificam necessidades e desenvolvem novos usos, a IA passa a ser moldada pela realidade da operação. O resultado é mais previsibilidade e organização no dia a dia, e mais espaço para que as equipes dediquem energia e repertório às atividades em que o olhar humano realmente faz a diferença.
No fim, é sobre usar a tecnologia para ampliar o que as pessoas são capazes de fazer. Quando a IA assume parte da complexidade, surgem novas possibilidades para fazer mais, experimentar mais e ir além.
Porque, quando pessoas e tecnologia trabalham juntas, dá pra ir mais longe.



