Dados integrados ajudam a evitar fretes emergenciais
Especialista da Globalsys explica como divergências entre ERP, WMS e TMS podem atrasar decisões sobre entregas.
Dados inconsistentes entre sistemas de gestão, armazém e transporte podem fazer com que atrasos sejam identificados tarde e levem a decisões sob pressão, como mudanças de rota ou contratação de transporte adicional. A avaliação é de Leandro Lima, head de Dados e Analytics da Globalsys.
Segundo o especialista, um pedido pode constar como confirmado no sistema de gestão enquanto o lote está bloqueado no armazém. Ao mesmo tempo, a transportadora pode ter reprogramado a coleta e uma planilha de acompanhamento ainda apontar a entrega dentro do prazo. “Quase sempre a informação existe. O problema é que ela chega tarde ou chega diferente para cada área”, afirma Lima.
ERP, WMS e TMS precisam usar informações consistentes
Na cadeia de suprimentos, o ERP registra o pedido, o WMS acompanha a movimentação e a disponibilidade dos produtos, e o TMS reúne dados sobre coletas, rotas e entregas. De acordo com Lima, sem integração ou atualização adequada, as equipes podem operar com versões diferentes de uma mesma situação.
Nesse cenário, uma área pode considerar um pedido pronto para expedição, enquanto outra já identificou uma restrição que afeta o prazo. As exceções podem ser percebidas tarde, exigindo horas de conferência de relatórios antes que a origem do desvio seja encontrada.
O problema também afeta o OTIF, indicador que mede a proporção de pedidos entregues completos e dentro do prazo. Para que os resultados sejam comparáveis, as áreas precisam compartilhar critérios sobre quais pedidos entram no cálculo, qual prazo será considerado e como entregas parciais serão contabilizadas.
Base de dados influencia análises com IA
Para Lima, empresas que usam modelos de inteligência artificial para estimar demanda ou sinalizar pedidos com risco de atraso precisam revisar previamente a base que alimenta essas análises. Registros incompletos, desatualizados ou organizados por critérios incompatíveis limitam a confiabilidade dos resultados, segundo ele.
O especialista recomenda partir da decisão que se quer melhorar: identificar eventos que antecipam atrasos, as fontes capazes de reconhecê-los e quem poderá agir diante de um alerta. A integração e a governança devem definir indicadores compartilhados e responsáveis por cada medida. Entre os resultados a acompanhar estão a antecedência dos alertas, as ocorrências tratadas antes do impacto, os atrasos e os custos operacionais.



