Corridas de rua crescem e reforçam plano para emergências
Brasil teve 5.241 provas oficiais em 2025, segundo associação do setor; protocolos, RCP e acesso ao DEA são pontos centrais.
O Brasil realizou 5.241 provas oficiais de corrida de rua em 2025, ante 2.827 no ano anterior, uma alta de 85%, segundo levantamento divulgado em 2026 pela Associação Brasileira de Organizadores de Corridas de Rua e Esportes Outdoor. Com a expansão da modalidade, organizadores, academias e clubes precisam planejar como responder a emergências cardíacas.
Conteúdo publicado pela Sociedade Brasileira de Cardiologia em 2025 estima que a morte súbita entre atletas ocorra em um a dois casos por 100 mil pessoas ao ano. Embora seja considerada rara, grande parte dos episódios acontece durante atividades intensas de treino ou competição, de acordo com o material citado no levantamento.
Plano de emergência vai além de ter um DEA
Diretrizes internacionais de ressuscitação apontam o reconhecimento rápido da parada cardíaca, o acionamento do serviço de emergência, a realização de RCP de qualidade e a desfibrilação precoce como componentes da cadeia de sobrevivência. Um posicionamento científico citado pela fonte recomenda que locais de treinamento e competição tenham plano de ação, pessoas capacitadas, acesso rápido a desfibrilador externo automático (DEA) e transporte médico coordenado.
Segundo Rodrigo Feijó, consultor de produtos da MA Hospitalar, o equipamento só funciona como parte de uma resposta organizada. “Em uma emergência, o problema não é apenas possuir um equipamento. Se ninguém sabe onde ele está, se o acesso é demorado ou se a equipe não treinou como agir, minutos importantes podem ser perdidos”, afirma.
O DEA analisa o ritmo cardíaco e orienta a aplicação de choque quando indicado. Por isso, sua presença deve vir acompanhada de sinalização, manutenção, treinamento e definição prévia de quem busca o aparelho, inicia a RCP e aciona o atendimento móvel.
Percursos exigem logística específica
Em corridas de rua, percursos extensos, pontos de difícil acesso e a concentração de pessoas nas largadas e chegadas tornam a operação mais complexa. A estrutura, segundo a fonte, deve considerar o tempo de resposta em cada trecho, rotas para ambulâncias, comunicação entre equipes, identificação dos pontos de atendimento e profissionais treinados em RCP.
As compressões torácicas devem começar rapidamente diante de uma pessoa inconsciente e sem respiração normal, enquanto o serviço de emergência é acionado e o DEA é providenciado. A fonte ressalta ainda que avaliações prévias não eliminam completamente o risco de uma parada cardíaca súbita; por isso, os planos precisam ser desenvolvidos e praticados nos ambientes onde atletas treinam e competem.



