Combinação elevou sobrevida em câncer de pulmão agressivo
No estudo DeLLphi-305, pacientes em manutenção após tratamento inicial tiveram mediana de sobrevida de 21,1 meses.
A combinação de tarlatamabe e durvalumabe elevou a mediana de sobrevida global de 12,7 para 21,1 meses em pacientes com câncer de pulmão de pequenas células em estágio extenso, segundo resultados do estudo de fase 3 DeLLphi-305. Os dados foram apresentados no Congresso da Sociedade Europeia de Oncologia Médica (ESMO 2026), em Madri, na Espanha.
De acordo com o estudo, a associação reduziu em 58% o risco de morte em comparação ao uso de durvalumabe isolado. A pesquisa incluiu 563 pacientes cuja doença não havia progredido após o tratamento inicial com durvalumabe, quimioterapia com platina e etoposídeo. Eles foram distribuídos aleatoriamente entre a combinação dos dois medicamentos e a manutenção apenas com durvalumabe, com acompanhamento mediano de cerca de 16 meses.
Resultados em sobrevida e controle da doença
Após um ano, 79,4% dos participantes que receberam tarlatamabe e durvalumabe estavam vivos, ante 53,3% no grupo tratado somente com durvalumabe. A diferença entre os grupos foi estatisticamente significativa, segundo o material divulgado.
A mediana de sobrevida livre de progressão — período em que a doença não avança ou o paciente não morre — foi de 7,4 meses com a combinação, contra 1,9 mês com o tratamento isolado. Isso correspondeu a uma redução de 66% no risco de progressão ou morte. A taxa de resposta objetiva, que indica redução mensurável do tumor, foi de 26,4% no grupo da associação e de 4,1% no grupo de controle.
O estudo avaliou uma estratégia de manutenção, isto é, usada após o tratamento inicial quando o câncer não apresentou progressão. Segundo a oncologista Mariana Laloni, diretora médica técnica da Oncoclínicas&Co, o objetivo nessa etapa é prolongar o controle da doença.
Eventos adversos também foram registrados
Os resultados de segurança incluíram eventos adversos de grau 3 ou superior em 46,8% dos pacientes que receberam a combinação, frente a 40,6% entre os tratados apenas com durvalumabe. A síndrome de liberação de citocinas, reação inflamatória ligada à ativação do sistema imunológico, ocorreu em 49,6% dos participantes da combinação; casos de grau 3 ou superior corresponderam a 0,4%.
Eventos neurológicos associados à ativação de células imunes, conhecidos pela sigla ICANS, foram observados em 1,1% dos pacientes, sem casos de grau 3 ou superior. Não houve eventos fatais de síndrome de liberação de citocinas ou ICANS, segundo os dados apresentados.



