Estudo avalia preservação da laringe sem cisplatina
Pesquisa brasileira com 43 pacientes será apresentada na ESMO 2026 e exige acompanhamento mais longo para avaliar os benefícios.
Um estudo brasileiro com 43 pacientes com câncer de laringe localmente avançado avaliou uma combinação de imunoterapia, quimioterapia e radioterapia sem cisplatina para buscar a preservação do órgão. Na análise inicial do SMART-KEY (LACOG 0720), a sobrevida livre de laringectomia em dois anos foi de 65,1%.
Os resultados serão apresentados neste domingo (25), durante o Congresso da Sociedade Europeia de Oncologia Médica (ESMO 2026), em Madri, na Espanha. A pesquisa foi conduzida pelo Grupo Cooperativo Latino-Americano de Oncologia (LACOG) em centros brasileiros e tem William Nassib William Jr. como investigador principal.
O indicador de sobrevida livre de laringectomia considera o período em que as pessoas participantes permanecem vivas sem precisar retirar cirurgicamente a laringe. Segundo o material do estudo, porém, esse resultado não confirma, por si só, a manutenção da função normal do órgão, aspecto que ainda precisa ser acompanhado clinicamente.
Como foi a estratégia investigada
O protocolo foi destinado a pacientes com carcinoma espinocelular de laringe localmente avançado, nos estágios III, IVA ou IVB, selecionados para uma abordagem de preservação do órgão.
Inicialmente, os participantes receberam carboplatina, paclitaxel e pembrolizumabe. Depois, passaram por radioterapia associada ao pembrolizumabe e receberam novos ciclos de imunoterapia. A estratégia não elimina a quimioterapia, mas substitui a cisplatina por carboplatina e paclitaxel na fase inicial.
Dados ainda são iniciais
No período de dois anos, a análise também apontou incidência acumulada de recorrência locorregional de 18,8% e de recorrência à distância de 7,4%. De acordo com William Jr., será necessário acompanhamento mais prolongado para compreender a duração dos benefícios, os efeitos adversos, a qualidade de vida e o papel da estratégia na prática clínica.


