Estudo avalia confiabilidade do PD-L1 no câncer renal metastático

Análise do CARE1 encontrou 90% de concordância entre testes locais e centralizados; utilidade do biomarcador na escolha terapêutica ainda será avaliada.

Uma análise do estudo internacional CARE1 encontrou 90% de concordância entre avaliações locais e centralizadas do PD-L1 em pacientes com carcinoma renal de células claras metastático. O resultado, que será apresentado em 25 de outubro no Congresso da Sociedade Europeia de Oncologia Médica (ESMO 2026), em Madri, avalia se o exame pode ser realizado de forma consistente em diferentes centros.

O PD-L1 é um biomarcador investigado no estudo como possível critério para orientar a escolha do tratamento de primeira linha. Segundo a pesquisa, porém, a concordância dos testes não demonstra que o marcador já seja suficiente para definir a terapia mais adequada para cada paciente.

Dados da análise do CARE1

Ao todo, a análise incluiu 308 pacientes. Todos realizaram a avaliação local de PD-L1 e 99% também concluíram o teste centralizado. Foram considerados positivos os tumores com expressão de PD-L1 em pelo menos 1% das células tumorais avaliadas.

A proporção de resultados positivos foi de 45% na avaliação local e de 43% na centralizada. Houve discordâncias em 10% dos casos. De acordo com o material do estudo, a avaliação centralizada é um comparador metodológico, e não um padrão-ouro absoluto da expressão biológica de PD-L1.

Diferenças menores na quantificação do biomarcador entre pacientes classificados como positivos foram observadas em 23% dos casos. As taxas de discordância não foram influenciadas pelo local da biópsia, pelas características patológicas do tumor ou pelo tipo de anticorpo usado na avaliação local.

Escolha de tratamento ainda depende de resultados clínicos

O CARE1, estudo de fase III, investiga se o status de PD-L1 pode ajudar a selecionar o tratamento para pacientes com carcinoma renal de células claras metastático de risco intermediário ou desfavorável. A pesquisa compara uma combinação de duas imunoterapias com a associação entre imunoterapia e um inibidor de tirosina-quinase, classe de terapia-alvo.

A hipótese é que tumores positivos para PD-L1 possam obter maior benefício com duas imunoterapias, enquanto tumores negativos possam responder melhor à combinação de imunoterapia e terapia-alvo. Segundo Cristiane Bergerot, líder nacional da especialidade de Equipe Multidisciplinar da Oncoclínicas e coautora do estudo, ainda é necessário determinar se o biomarcador identifica quais pacientes se beneficiam mais de cada estratégia.

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