Ansiedade no Enem: quando buscar apoio profissional

Estudo com 1.046 vestibulandos encontrou ansiedade moderada ou grave em 23,5%; médica aponta sinais de alerta na reta final.

Um estudo brasileiro com 1.046 vestibulandos identificou níveis moderados ou graves de ansiedade em 23,5% dos estudantes. A sensação de que o vestibular era decisivo para a própria vida e a obrigação de realizar a prova estiveram associadas a níveis mais altos de ansiedade.

Segundo Márcia Varejão, pediatra, homeopata e profissional com foco em medicina integrativa, algum grau de ansiedade diante de uma prova importante pode ser esperado e até mobilizar o estudante. O sinal de alerta, porém, surge quando os sintomas deixam de ser pontuais e passam a prejudicar o sono, os estudos, a convivência ou os momentos de lazer.

A médica cita agitação, dificuldade de concentração e bloqueio emocional entre os possíveis sinais. Quando há prejuízo na rotina, ela afirma que a busca por apoio profissional se torna necessária.

Estratégias para quadros leves e circunstanciais

Em situações leves e relacionadas ao contexto, a fonte aponta que sono, alimentação, atividade física, pausas, redução de estímulos e organização da rotina podem integrar o cuidado. Meditação, mindfulness e técnicas de respiração também são mencionadas como estratégias possíveis.

Uma revisão sistemática publicada em 2024, segundo o material, reuniu estudos sobre mindfulness entre estudantes e encontrou redução de sintomas de ansiedade nas intervenções analisadas. Os próprios autores, no entanto, ressaltaram a necessidade de mais pesquisas de alta qualidade sobre o tema.

As Práticas Integrativas e Complementares em Saúde fazem parte do SUS desde 2006. Entre as 29 práticas reconhecidas estão meditação, yoga, acupuntura, homeopatia, musicoterapia e terapia comunitária integrativa. De acordo com o Ministério da Saúde, elas devem complementar, e não substituir, os tratamentos necessários.

O que a família pode observar

Mudanças importantes no sono, irritabilidade, queda no rendimento, isolamento, dificuldade para se concentrar ou incapacidade de realizar tarefas habituais merecem atenção, segundo Márcia. Na avaliação da médica, a ansiedade na adolescência nem sempre aparece apenas como preocupação verbalizada e pode se manifestar por sintomas físicos, dificuldade para estudar ou bloqueio diante das tarefas.

A especialista, parceira da farmacêutica Boiron, ressalta que práticas de bem-estar não devem se tornar uma tentativa de enfrentar sozinho um sofrimento que já exige avaliação específica e estruturada.

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