Pesquisa usa escamas de peixe em biomateriais para saúde
Estudo de bancada em São Luís investiga o aproveitamento do descarte pesqueiro em materiais para cirurgias, bioimpressão e pele.
Escamas de peixe descartadas no entreposto pesqueiro de São Luís, no Maranhão, são usadas como matéria-prima em uma pesquisa de biomateriais para cirurgias, bioimpressão de tecidos e tratamentos de pele. O estudo, conduzido por Paulo Ferreira, especialista em gestão de produtos bioativos, está em fase inicial de bancada.
Segundo o pesquisador, as escamas concentram colágeno e hidroxiapatita, um mineral que também compõe ossos e dentes. Ambos são empregados na fabricação de biomateriais. Ferreira afirma que os produtos concorrentes do segmento podem custar entre R$ 1.000 e R$ 2.000 por grama, enquanto o resíduo do entreposto não tem valor comercial.
“Boa parte do que sobra no entreposto ainda é tratada como lixo, mas tem componentes muito úteis para a área da saúde. O nosso trabalho é dar a esse material um destino à altura do que ele pode valer”, afirma o pesquisador.
Três aplicações em estudo
O projeto mira esponjas hemostáticas, biotintas e bioestimuladores. As esponjas hemostáticas são empregadas para conter sangramentos em procedimentos cirúrgicos e, de acordo com o material divulgado, podem receber fármacos para liberar o medicamento diretamente no local.
As biotintas são usadas na bioimpressão, técnica que utiliza impressoras 3D para montar estruturas com células vivas. Já os bioestimuladores são a aplicação estudada para a dermatologia, com atuação na regeneração da pele.
Ferreira iniciou a carreira na Universidade Federal do Maranhão (UFMA), fez mestrado e doutorado na Unicamp e realizou um período de pesquisa na University of Florida, nos Estados Unidos. Em 2021, recebeu o Prêmio Inventores da Agência de Inovação da Unicamp.
Parte de sua produção anterior resultou no desenvolvimento do nanobiovidro, originado de seu doutorado sobre partículas de vidro bioativo em escala nanométrica para enxertos ósseos e de sua primeira patente. Atualmente, ele desenvolve o material na Livitah Life Sciences, empresa sediada nos Estados Unidos.



