Mais de metade dos adultos precisa de prótese dentária, diz SB Brasil
Levantamento de 2023 aponta necessidade de reabilitação entre pessoas de 35 a 44 anos; especialista explica impactos e cuidados.
Mais da metade dos brasileiros de 35 a 44 anos precisa de algum tipo de prótese dentária, segundo a Pesquisa Nacional de Saúde Bucal (SB Brasil 2023). O levantamento aponta necessidade de reabilitação protética para 53,7% dessa faixa etária e reforça a importância do acompanhamento odontológico, especialmente diante da perda de dentes ao longo da vida.
Entre pessoas de 65 a 74 anos, 23,16% necessitam de prótese total nas duas arcadas. Outras 20,68% precisam de próteses parciais em ambas as arcadas, e 14,42%, de prótese parcial em apenas uma delas.
De acordo com Rildo Siqueira Peçago, professor de Odontologia da Afya Centro Universitário Montes Claros, cárie, doença periodontal, desigualdades no acesso à saúde pública e uma prática odontológica historicamente voltada à extração, em vez do tratamento, contribuem para esse cenário. Ele afirma que o envelhecimento, por si só, não provoca perda natural dos dentes, mas pode haver acúmulo de danos e doenças bucais ao longo da vida.
Segundo o levantamento citado no material, a perda completa dos dentes atinge 36,48% da população idosa no país. Essa população chega a essa fase com média de 19,86 dentes perdidos por cárie. Para o docente, a perda dentária pode prejudicar a mastigação, afetar o encaixe entre as arcadas e estar associada a dores musculares e articulares, dificuldade para abrir a boca, alterações na fala e impactos na autoestima e no convívio social.
Quando procurar avaliação odontológica
Quase metade dos idosos, 49,58%, relata perceber a necessidade de uma prótese para substituir dentes perdidos. A colocação ou manutenção de próteses e dentaduras foi o principal motivo de consulta odontológica no último ano para 32,80% desse grupo.
Peçago orienta que não se espere o surgimento de sintomas para procurar atendimento. Próteses frouxas, feridas persistentes na boca, mau hálito, dificuldade para mastigar, sangramento ou secreção na gengiva, mobilidade dentária e dor devem ser avaliados por um profissional, segundo o especialista.
Cuidados com a prótese dentária
O professor recomenda seguir as orientações profissionais desde a colocação da prótese, manter a higienização diária e realizar consultas regulares. Durante o período de adaptação, alimentos extremamente duros ou aderentes devem ser evitados, conforme a orientação apresentada, para reduzir a sobrecarga sobre a prótese e os tecidos de suporte.
A limpeza deve ser feita com escovas de cerdas macias ou extramacias e produtos de baixa abrasividade ou soluções específicas, de acordo com o material. O especialista também afirma que próteses removíveis devem ser retiradas durante o sono e submetidas à desinfecção adequada ao material da peça.
Feridas, áreas avermelhadas ou desconforto persistente podem indicar sobrecarga ou desadaptação. Nesses casos, a recomendação é consultar um cirurgião-dentista, sem tentar desgastar ou ajustar a prótese em casa. Consultas periódicas permitem avaliar a estabilidade do dispositivo, fazer ajustes e identificar alterações na mucosa bucal.



