Microagulhas na pele: conheça 4 tecnologias e diferenças
Patches, cosméticos, microagulhamento em consultório e radiofrequência têm mecanismos e indicações distintos, segundo dermatologistas.
Microagulhas usadas em adesivos, cosméticos e procedimentos dermatológicos têm mecanismos, profundidades e indicações diferentes. Segundo a dermatologista Glauce Eiko, membro titular da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), essas tecnologias buscam ultrapassar ou agir sobre a barreira superficial da pele, mas não são equivalentes entre si.
O estrato córneo, camada mais externa da pele, dificulta a passagem de muitas substâncias, explica a médica. Por isso, métodos que favorecem a entrega de ativos ou provocam microlesões controladas vêm sendo usados em produtos e tratamentos realizados em consultório.
Patches e cosméticos com estruturas microscópicas
Os patches com microagulhas criam caminhos microscópicos para depositar ativos de forma mais direcionada, segundo Glauce Eiko. A médica afirma que a estratégia pode ser relevante para moléculas maiores, instáveis ou com baixa penetração. No Brasil, porém, ela alerta que adesivos de microagulhas encontrados na internet geralmente são importados e não regularizados pela Anvisa; por ultrapassarem a superfície da pele, não se enquadram automaticamente como cosméticos.
Já o chamado microagulhamento líquido é o nome popular de cosméticos com estruturas que penetram suavemente nas camadas superiores da pele. De acordo com Glauce Eiko, eles promovem esfoliação natural, renovação celular e melhor absorção dos ingredientes da fórmula.
O farmacêutico Maurizio Pupo, diretor de Pesquisa e Desenvolvimento da Ada Tina, cita o sérum Porcelain Glow Ultra Glass Skin Effect como exemplo de produto com espículas. Segundo ele, as estruturas são obtidas de esqueletos de esponjas marinhas hidrolisadas e moldadas como agulhas microscópicas.
Procedimentos com agulhas e radiofrequência
No microagulhamento tradicional, feito em consultório, dispositivos como rollers e canetas usam múltiplas agulhas em profundidades ajustadas à região e ao objetivo do tratamento. “Elas provocam microlesões controladas que estimulam o processo de reparação e a produção de colágeno”, explica Glauce Eiko. Os canais formados também podem ser usados para a aplicação de ingredientes, prática chamada de drug delivery.
A radiofrequência microagulhada combina as agulhas com emissão de energia. Segundo a dermatologista Daniella Curi, membro da SBD, a radiofrequência aquece a derme e estimula a produção de colágeno. Ela cita o Evolla RF, que, de acordo com a médica, tem sistema de vácuo para atenuar a dor e melhorar o acoplamento da ponteira.
Há ainda pesquisas sobre patches impressos em 3D, sistemas que liberam ingredientes em resposta a mudanças de pH, temperatura ou estresse oxidativo e sensores de hidratação e oleosidade. Essas possibilidades permanecem, em grande parte, no campo experimental, ressalta Glauce Eiko.



