Refugiados em Busuma enfrentam falta de água, abrigo e comida

Segundo Médicos Sem Fronteiras, cerca de 35 mil congoleses vivem no acampamento no Burundi, com assistência humanitária sob risco de cortes.

Cerca de 35 mil refugiados congoleses vivem em condições precárias no acampamento de Busuma, no leste do Burundi, segundo Médicos Sem Fronteiras (MSF). A organização alerta para falta de alimentos, abrigo e água e para o risco de piora caso entidades humanitárias percam financiamento nas próximas semanas.

Em setembro, havia uma latrina para cada 119 pessoas e um chuveiro para cada 242 no acampamento, de acordo com a MSF. A entidade afirma que as ações emergenciais no início de 2026 ajudaram a melhorar as condições sanitárias e a controlar surtos de cólera e sarampo, mas a chegada da estação chuvosa pode agravar o cenário.

Atendimento médico e demanda por saúde mental

Entre julho e setembro, as equipes da MSF realizaram mais de 12 mil consultas ambulatoriais em Busuma e na comunidade vizinha. As principais demandas foram infecções respiratórias e intestinais; mais de 300 pessoas receberam atendimento médico especializado, segundo a organização.

A MSF também relata alta procura por apoio em saúde mental. A psicóloga clínica Vanessa Niyonizigiye cita registros de depressão, ansiedade, psicose e transtorno de estresse pós-traumático entre pessoas afetadas pela violência na República Democrática do Congo (RDC), pelo deslocamento e pelas condições no acampamento.

Retorno à RDC

Desde abril, mais de 20 mil refugiados voltaram à RDC por meio de um programa de retorno voluntário coordenado pelas Nações Unidas para áreas consideradas seguras. Ainda assim, muitos dos que permanecem em Busuma dizem preferir retornar, apesar da instabilidade na segurança, diante da escassez de assistência no local.

Segundo a MSF, abrigos construídos no início da crise tinham vida útil prevista de seis meses e já se deterioram com a estação chuvosa. Diversas organizações atuantes em Busuma têm recursos garantidos apenas até o fim de 2026, e algumas não possuem financiamento assegurado além de outubro. A coordenadora de projetos da MSF no Burundi, Adélaïde Ouabo, alerta que entidades podem encerrar atividades no início de 2027.

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