Queda de cabelo: por que contar fios não basta
Médica afirma que o aumento perceptível em relação ao padrão individual deve ser investigado, pois densidade e causas variam.
Contar os fios que caem no travesseiro, no ralo ou na escova não é suficiente, por si só, para identificar queda de cabelo anormal. Segundo a médica Lilian Brasileiro, a referência de até cerca de 120 fios diários deve ser interpretada com cautela, porque a quantidade considerada normal é proporcional à densidade capilar de cada pessoa.
De acordo com a médica, quem tem maior quantidade de folículos e fios no couro cabeludo pode perder mais cabelos por dia do que alguém com menor densidade sem que isso represente uma doença. Já uma perda numérica menor pode ser relevante para quem tem fios geneticamente finos ou menos folículos, afirma o farmacêutico Maurizio Pupo.
O que observar na queda de cabelo
Para Lilian Brasileiro, o sinal de alerta é uma mudança perceptível no padrão habitual: a pessoa costuma saber quanto cabelo perde ao lavar, pentear ou acordar. Quando a queda aumenta e foge desse comportamento, a alteração merece investigação médica, pois pode indicar desequilíbrio no ciclo capilar.
A médica afirma que a queda pode ter mais de uma causa. Entre as mais frequentes em sua prática clínica, ela cita deficiências de ferro e vitamina B12, alterações da tireoide e oscilações hormonais. Essas oscilações podem ocorrer após iniciar ou interromper anticoncepcionais, no pós-parto, durante a menopausa e em pessoas que usam implantes hormonais.
Segundo Lilian Brasileiro, a perda rápida de peso e alterações metabólicas durante o uso de canetas para emagrecimento podem desencadear eflúvio telógeno, descrito por ela como uma queda temporária dos fios; ela ressalva que os medicamentos não provocam diretamente a queda. A médica também diferencia esse quadro da alopecia androgenética, ou calvície, que define como genética e progressiva, marcada pelo afinamento gradual dos fios e que requer tratamento específico.
“Queda de cabelo não é uma doença em si, mas um sinal de que algo no organismo ou no próprio folículo capilar precisa ser investigado”, afirma a médica.



