Mau hálito: causas podem estar na boca, não no estômago
Saburra na língua, doenças gengivais, cáries e redução da saliva estão entre fatores associados à halitose, segundo especialista.
O mau hálito, ou halitose, tem origem predominantemente na cavidade bucal, e não necessariamente no estômago. Segundo a cirurgiã-dentista Christiana Almeida Salvador Lima, coordenadora do curso de Odontologia da Afya Centro Universitário de Pato Branco, bactérias e resíduos acumulados na língua, nos dentes e nas gengivas podem produzir substâncias associadas ao odor desagradável.
Entre os fatores bucais mais frequentes estão a saburra lingual — camada esbranquiçada ou amarelada sobre a língua —, gengivite, periodontite, cáries, higiene inadequada e redução da produção de saliva. O ressecamento da boca pode ocorrer durante o sono, em períodos de desidratação ou com o uso de determinados medicamentos, favorecendo a proliferação de bactérias, de acordo com a especialista.
Língua e saliva influenciam o odor
A superfície da língua tem irregularidades que podem reter células descamadas, restos de alimentos e bactérias. Quando esse material não é removido adequadamente, pode contribuir para a formação de compostos sulfurados voláteis, relacionados ao odor característico da halitose.
Christiana explica que a saliva ajuda na limpeza natural da boca e no equilíbrio da microbiota oral. Com a diminuição do fluxo salivar, as bactérias encontram condições mais favoráveis para se proliferar, o que aumenta a possibilidade de mau hálito.
Quando investigar outras causas
Embora as causas bucais sejam predominantes, o mau hálito também pode estar associado a problemas nas vias respiratórias, como sinusite e amigdalite, além de alterações metabólicas. Em situações menos frequentes, doenças do sistema digestivo podem contribuir para o quadro.
“O mau hálito é um sinal que precisa ser investigado, e cada caso deve ser avaliado individualmente”, afirma a dentista. Segundo ela, a avaliação odontológica permite identificar ou descartar causas relacionadas à boca e, quando necessário, encaminhar a pessoa a outro profissional de saúde.
Cuidados diários para prevenir a halitose
Escovar os dentes após as refeições, usar fio dental, higienizar a língua e manter boa hidratação são medidas citadas pela especialista para reduzir o acúmulo de resíduos e favorecer a saúde bucal. Consultas odontológicas periódicas também ajudam a prevenir e tratar cáries e doenças gengivais que podem contribuir para a halitose.
O uso de enxaguantes bucais deve ter orientação profissional, pois esses produtos não substituem a escovação nem a limpeza interdental. Para Christiana, mascarar o odor com balas ou enxaguantes sem investigar sua causa pode adiar a identificação do problema.



